Renan Santos deixou claro no debate da Band que pretende disputar o eleitorado bolsonarista. Apesar de se apresentar como anti-Lula e anti-Bolsonaro, frases como “vamos fazer um banho de sangue no nosso primeiro dia de governo” e “vamos prender, vamos matar quem roubar” funcionam como acenos diretos a uma parcela da direita que, nas duas últimas eleições, teve Jair como principal referência.
Renan sabe que precisa desse eleitorado para tentar sobreviver na disputa. Até agora, não decolou nas pesquisas e permanece abaixo dos 10%. Por isso, endureceu o discurso, elevou o tom e adotou uma postura agressiva durante o debate, a ponto de ser repreendido pelo candidato do Avante, Augusto Cury. A estratégia parece clara.o.
O problema é que Renan carrega um histórico que pode dificultar essa aproximação. O candidato apoiou medidas de censura atribuídas a Alexandre de Moraes, fez críticas aos presos do 8 de janeiro e também ao ex-assessor especial da Presidência Felipe Martins. Para conquistar esse eleitorado, portanto, não basta repetir slogans ou reproduzir a agressividade de Bolsonaro. É preciso convencer que, na prática, representa as mesmas bandeiras.
O cenário também não é favorável. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra Flávio Bolsonaro crescendo e empatando tecnicamente com Lula no primeiro turno, além de aparecer em empate técnico com o presidente em uma simulação de segundo turno. Com um nome competitivo no campo bolsonarista, o espaço para candidaturas que tentam correr por fora fica ainda menor.
Renan sabe que suas chances de chegar ao segundo turno são remotas. Por isso, a tendência é que o discurso fique ainda mais agressivo. Mas, para sair dos atuais índices de intenção de voto, não basta acenar ao bolsonarismo. Renan terá de convencer esse eleitor de que pode ser mais do que uma versão barulhenta de Bolsonaro. Terá de provar que pode, de fato, representá-lo.
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