Tiago Simões Leite, pediatra e mestre em Saúde da Criança e Adolescente pela
UFMG, sempre tratou de pacientes olhando além do diagnóstico. No podcast
"Comunique seu propósito", disponível no YouTube, ele fala de religiosidade, fé e
medicina com a naturalidade de quem se propõe a tratar a pessoa na sua
integralidade. Questão que o mundo acadêmico começa a validar com estudos.
A Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia
(SBC), publicada em 2019, foi pioneira no mundo ao incluir um capítulo sobre
espiritualidade. Relacionou-a com menores índices de tabagismo, sedentarismo e
melhor adesão à prevenção cardiovascular em geral. Depois da publicação
brasileira, diretrizes da Europa e dos Estados Unidos também fizeram suas
referências ao tema.
“A espiritualidade deve ser incorporada aos cuidados tanto para doenças graves
quanto para a saúde em geral”, de acordo com o trabalho dos pesquisadores da
Escola de Saúde Pública TH Chan de Harvard e do Hospital Brigham and Women's.
O estudo foi publicado em 2022 e é considerado um dos mais abrangentes sobre o
tema.
No ano passado, a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial propôs espiritualidade
e religiosidade como medidas preventivas e de manejo não farmacológico da
doença. Recomenda que profissionais de saúde sejam treinados para mencionar
esses aspectos, com respeito às crenças pessoais dos pacientes.
Medicina humanizada é o conceito da prática de Tiago Simões Leite
Tiago Simões Leite não precisou esperar as diretrizes chegarem. Sua identidade
cristã é pública. Na bio do Instagram, ao lado de "Pai do Isaac e Sarah, Marido da
Gaby, Médico, Pediatra, Gestor em Saúde e Empreendedor", está escrita a frase
que orienta o trabalho dele: "Creio em Cristo Jesus, salvo pela fé, por meio da
graça!"
“Minha espiritualidade vai a campo junto com os meus ensinamentos científicos
aprendidos na faculdade de medicina, na especialização em Pediatria, no mestrado
em Saúde Pública, nas experiências humanitárias na África e nas periferias do
Brasil. Essa combinação, que me fez um gestor melhor, também é capaz de
promover mais cuidado para os pacientes”, garante o médico.
A medicina humanizada, conceito que Tiago defende, coloca o ser humano no
centro do cuidado. “O corpo, a emoção, o contexto social, a dimensão espiritual,
tudo isso importa na cura. A medicina está se conscientizando de que esse
conceito não é abstrato e que pode se converter em ferramenta clínica eficiente”,
avalia Tiago Simões Leite. Segundo ele, esse cuidado integral que deve estar no
centro da prática médica, referendado pelos gestores de saúde, é a tradução
prática do que as diretrizes cardiológicas começaram a formalizar.
Estudos médicos relacionados a fé começaram em 1960
Espiritualidade aplicada à medicina é tema de artigos e pesquisas desde os anos
1960. Estudos epidemiológicos identificam associações consistentes entre
espiritualidade, religiosidade e bem-estar físico e mental. Menos estresse. Mais
autocuidado. Melhor enfrentamento de enfermidades incuráveis, como as doenças
cardiovasculares, que seguem como principal causa de morte no Brasil. Tudo
baseado em pesquisas consistentes, sem misticismo.
A SBC define espiritualidade como um conjunto de valores morais, mentais e
emocionais que guiam as atitudes do indivíduo, sem se restringir a uma religião
específica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece oficialmente a espiritualidade
como uma dimensão fundamental da saúde multidimensional e da qualidade de
vida. Nessa perspectiva, o Conselho Federal de Medicina (CFM) criou no ano
passado a Comissão de Saúde e Espiritualidade.
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