Pablo Marçal entrou na disputa eleitoral de 2026 prometendo fazer barulho. Nas primeiras entrevistas e aparições públicas desta campanha, adotou uma postura abertamente anti-Lula e passou a atacar o presidente de diferentes maneiras. Mais do que apresentar uma candidatura tradicional, o empresário parece apostar na provocação, no confronto e na capacidade de transformar declarações em conteúdo viral. A candidatura, porém, ainda depende da análise definitiva da Justiça Eleitoral, pois está inelegível em razão de condenações relacionadas às eleições municipais de 2024 e recorre das decisões.
Na minha apuração, existe uma leitura de que Marçal entrou no jogo justamente para bagunçá-lo. A estratégia guardaria semelhanças com o que ocorreu em 2022 com Padre Kelmon, que ganhou enorme exposição durante a reta final da campanha e protagonizou confrontos que dominaram as redes sociais. No debate da Globo, por exemplo, Kelmon entrou em choque com Lula e acabou transformando sua participação em um dos assuntos mais comentados daquele momento.
O candidato do PRTB já declarou que pretende participar dos debates e afirmou que não pretende criar problemas para Flávio Bolsonaro. Também disse que sua disputa é contra o PT e que espera ver o partido perder força. Ao assumir o papel de candidato combativo, Marçal pode tentar ocupar o espaço do eleitorado de direita e, ao mesmo tempo, provocar Lula nos debates. A dúvida é quanto dessa movimentação pode atingir Renan Santos, candidato do Missão.
O cenário, portanto, não pode ser analisado apenas pela quantidade de votos que Marçal pode conquistar. Sua candidatura pode ter impacto justamente pela capacidade de influenciar o debate público, viralizar e deslocar a atenção dos demais concorrentes. Renan, inclusive, já declarou que a possível entrada de Marçal na disputa poderia beneficiar Flávio Bolsonaro. Se essa leitura estiver correta, o influenciador não precisaria necessariamente chegar ao segundo turno para cumprir seu papel político, bastaria participar, tumultuar, crescer nas redes, tirar votos de adversários e, ao final, ajudar a reorganizar o campo da direita em torno de Flávio.
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