Irã sempre foi o nome do país na língua persa. Ele deriva da palavra ariano. Os persas descendem de tribos que ocuparam a Ásia Central há cerca de três mil anos e foram a semente de um império.
Neemias e Ezra foram enviados por esse Império Persa entre 450 e 400 a.C. para reorganizar e fortalecer a Judeia, região que fazia limite com o Egito. Para conter o avanço de egípcios e gregos, foi preciso instalar guarnições militares e fortalecer as cidades de apoio no corredor sirio-palestino.
Jerusalém, com seu templo, consolidou-se como o centro do poder sociopolítico. O sistema do templo, com a lei do puro e do impuro, foi reforçado. O templo e a lei tornaram-se os principais mecanismos de arrecadação de tributos para a manutenção da teocracia de Jerusalém, que repassava uma grande parte da arrecadação ao Império Persa.
Esse Império dava liberdade religiosa aos povos dominados, garantindo a submissão política e o tributo, transformou a Judeia em província do império, numa teocracia com o templo e a Torá. Jerusalém tornou-se o centro religioso e administrativo, explorando e oprimindo o “povo da terra”, a população rural que permanecera na Palestina durante o exílio. Entre os anos 450-400 a.C., os sacerdotes, organizados a partir do novo templo, eram confirmados como intermediários entre o povo e o Império Persa e, com a transformação da Judeia em uma província persa, foram exercer o poder em nome de Deus. Esse governo teocrático irá impor nova concepção de Deus, do povo de Deus e do pecado. Jeová agora será considerado Deus único e universal. “Passará a ser chamado de “Deus dos céus” ou “Deus Altíssimo” e considerado um Deus sagradíssimo e puríssimo, distante e separado do mundo impuro e pecador dos humanos”. Os livros de Ezra (Esdras na versão grega) e de Neemias foram compilados pelo fim do IV século a.C. e originalmente formavam uma só obra. Os acontecimentos mencionados nos livros de Ezra e Neemias se referem a um período de mais de cem anos, integrados num quadro geral da reorganização de Israel depois do exílio na Babilônia. Ezra–Neemias trazem relatos sobre o retorno dos exilados e da reconstrução de Jerusalém e do templo, assim como a formação da nova comunidade e as condições de privilégis a esta comunidade. Oferecem a possibilidade de acompanhar o nascimento do judaísmo étnico-religioso, rigorosamente segregado. Esse projeto, porém, encontrou resistência como evidenciam os livros de Rute e de Jonas, que surgiram no mesmo período de Ezra e Neemias e contestam a intolerância aos estrangeiros.
A reconstrução do templo com o apoio do Império Persa e a restauração do culto e festas religiosas, já no período do rei Dario. O segundo templo de Jerusalém foi inaugurado em 515 a.C., nesse tempo. Neemias enfrentou conflitos e a questão da injustiça social, durante o tempo em que foi governador. Os empobrecidos denunciavam a situação: “Tivemos de pedir dinheiro emprestado, penhorando nossos campos e vinhas, para podermos pagar os impostos ao rei”. O clamor profético dos pobres, dos endividados e escravizados levou Neemias a promover algumas reformas a fim de assegurar alimentos e terra para trabalhar e viver com dignidade, evitando assim a instabilidade na região.
Em 1976, na expectativa de uma possível aliá, fiz um rápido curso de renovação do meu hebraico no Ulpan Akiva. Inesquecivel. Além de um milionário sefaradi que vinha de Mercedes Benz (embarcado num navio, é claro) todos os anos e foi meu companheiro de fins de semana em Natania e arredores, Dorothy, uma vovó americana, de Chicago, deliciosa e inteligente e uma dupla de dois rapazes iranianos, também muito ricos, que se preparavam para uma aliá forçada por conta da instabilidade persa dos aiatolás que já apontavam no cenário. Ah, sim, também o meu companheiro de aposentos um professor inglês, inquieto e assustado, ainda sem definir se vinha para Israel ou continuava no Reino Unido.
Nesses anos ainda resistia no Irã uma comunidade judaica muito antiga que se pretendia ser dos tempos do Talmud Bavli, do rabi Yehudá há na-Nasi.
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