A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a discutir ajustes na estratégia eleitoral diante do cenário apontado pelas pesquisas. A nova Quaest, divulgada no último dia 7, mostra Lula com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro, enquanto Augusto Cury aparece com 8%. Em uma simulação de segundo turno, entretanto, os dois aparecem empatados numericamente, com 41% cada.
O empate provocou preocupação dentro do PT e despertou fortemente a discussão sobre uma agenda mais ampla para Lula, com maior presença em entrevistas, debates e compromissos fora dos ambientes tradicionalmente controlados pelo partido.
O debate da Globo, previsto para os últimos dias antes do primeiro turno, passou a ser reavaliado. Para a campanha, comparecer significa colocar o presidente diante dos adversários em um dos momentos de maior atenção do eleitorado. A ausência, por outro lado, reduz o risco de confrontos diretos, fato que o petista tem evitado desde quando se colocou à disposição para concorrer novamente.
Outro dado que chama atenção na pesquisa é a avaliação do governo. Segundo a Quaest, 50% desaprovam o trabalho de Lula, enquanto 43% aprovam. O levantamento também aponta rejeição de 53% ao presidente e de 55% a Flávio Bolsonaro.
A interpretação interna desses números é que Lula chega à reta final precisando preservar sua vantagem no primeiro turno e, ao mesmo tempo, ampliar seu diálogo com eleitores que não estão necessariamente identificados com o PT. Essa parcela do eleitorado ganha importância em uma disputa na qual os dois principais campos políticos apresentam forte resistência entre os adversários.
O fato concreto é que a fotografia apresentada pela Quaest aumenta a pressão nos corredores do Partido do Trabalhadores. Lula permanece numericamente à frente no primeiro turno, mas o empate com Flávio no segundo turno mostra que o favoritismo se foi. As pesquisas internas também preocupam. Em muitos resultados, o presidente aparece, inclusive já atrás do filho de Bolsonaro.
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