Quando a estratégia eleitoral começa a se transformar em desespero, é inevitável perguntar o que está acontecendo nos bastidores. Na avaliação do autor, o movimento recente do PT seria um sinal de que o partido percebeu que a eleição pode ser mais difícil do que imaginava.
O problema, porém, não estaria apenas na disputa eleitoral. O PT, segundo essa visão, construiu ao longo dos anos uma estrutura de influência que ultrapassa o Palácio do Planalto. O partido teria presença relevante no campo cultural, nas universidades, nos sindicatos, na educação e na produção de conteúdo que chega às novas gerações.
É aí que está o ponto central da crítica. Uma eventual derrota eleitoral não significaria, necessariamente, o desaparecimento da influência construída pelo partido. Trocar o governo é uma coisa. Mudar a cultura política de uma sociedade é outra, muito mais complexa.
A disputa, portanto, não deveria acontecer apenas durante o período eleitoral. Ela também precisaria ser travada no campo das ideias. Quem influencia a formação intelectual, cultural e social de uma geração ajuda a definir quais valores permanecerão vivos no futuro.
É justamente por isso que reduzir a política ao resultado de uma eleição pode ser um erro. Governos passam. Partidos podem perder eleições. Mas ideias permanecem quando encontram instituições, grupos e pessoas dispostos a reproduzi-las.
A crítica ao PT, nesse sentido, vai além de seus governos e de seus resultados eleitorais. Trata-se de questionar o espaço que o partido e sua visão de mundo ocuparam em diferentes setores da sociedade brasileira.
Para quem se opõe a esse projeto político, a resposta não deveria ser apenas eleitoral. É preciso disputar ideias, cultura, educação e valores. Afinal, a política pode mudar em quatro anos. A formação de uma sociedade leva muito mais tempo.
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