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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026
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Chag HaBikurim, a Festa das Primícias

Nada com uma convertida para dar glória aos judeus.

Henrique Veltman,
Por Henrique Veltman,
Chag HaBikurim, a Festa das Primícias
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 Nos meus tempos de Hashomer Hatzair, a festa de Bikurim era muito esperada e comemorada, geralmente com desfiles no antigo estádio do América, na Rua Campos Sales. Claro, as escolas também participavam, e eu lembro saudoso da meninada com bandeirolas de Israel, maçã espetada na varinha de marmelo...
O Talmud, da mesma forma que o Tanach, está à disposição de todos.  Mergulho de vez em quando nesses textos, com grande satisfação. No 48º dia da contagem do Ômer, véspera de Shavuot (Eclesiastes,  Qoehlet), dia 4 de junho:  - “Sobre os pães da primícia, que se sacrificam no Templo, e sobre o período das primícias, que se inicia em Shavuot, a cada um é imposto trazer primicias das sete espécies perante Deus, no Templo”. (Deuteronômio 26). 
 Nos lares, são preparadas comidas especiais, preferencialmente lácteas e pratos adoçados com mel. Este costume tem uma origem muito interessante, pois deriva de uma passagem do Cântico dos Cânticos, do rei Salomão, que diz: “mel e leite há sob tua língua”, o que significa que a Torá é tão doce como o mel, tão nutritiva como o leite. 
Nas comemorações de Shavuot, nas sinagogas e nos lares,  é incluída a leitura da promulgação dos dez mandamentos. Em várias comunidades costumava-se recitar os versículos de “Akdamot” antes de ler a Torá, com entonação especial. Estes versos foram escritos por Rabi Meir Ben Rabi Itzhak, chazan na sinagoga da cidade de Vermize (que eu não sei onde fica, provavelmente na Provence),  educador de Rashi, que escrevia poesia em aramaico e também no provençal Os primeiros 22 pares de versos estão dispostos em ordem alfabética de “alef-bet”, e os outros 46 são a sigla de “Meir Bir Rabi Itzhak, “crescerá com a Torá com boas ações, bendito seja, forte e valente”. Em outras comunidades recitava-se os versículos de “Azharot”, depois da oração de “mussaf” ou antes de “minchá”; versículos atribuídos à Shlomo Ibn Gabirol. Nestes versos estão todas os 613 preceitos, mitzvot. 
Lê-se, na abertura da Arca Sagrada ou nas reuniões familiares, o poema “Ketubá”, entre Israel e a Torá, que foi escrito pelo Rabi Israel Najara. Como reminiscência do caráter campestre de Shavuot, junta-se a leitura do livro de Ruth, relato idílico que descreve a colheita e demonstra até que ponto a legislação judaica considerava a situação dos desamparados: “E, quando contardes a ceifa da vossa terra, não acabarás a orla de teu tempo ao cortares nem recolherás as espigas caídas da tua ceifa: para o pobre e para o estrangeiro as deixarás: Eu sou o Eterno, vosso Deus”. (Levítico 23:22). Apesar da desaprovação inicial de algumas antigas autoridades por achar que era uma imitação de certos ritos da Igreja, as sinagogas e lares, em Shavuot, são decorados com plantas, flores e ramos de árvores, o que enfatiza a origem agrícola desta festividade. Atenção, meninos! Cabe aos esposos renovar seus votos de perene amor e cumprir seus compromissos... Com a leitura do Cântico dos Cânticos, de Salomão. Pelo menos, atribuído a ele... 
Por último, mas não menos importante, procede-se à leitura do livro de Ruth. Ela é a heroína moabita antepassada do rei David. Ruth, que era filha do rei de Moab, casou-se com um israelita e viveu com a família dele em Moab. Quando seu marido morreu, sua sogra, Naomi, incentivou-a voltar para casa, Ruth, no entanto, recusou- se a abandonar a idosa Naomi, prometendo ir com ela e aceitar seu povo e seu Deus (Ruth 1:16). Naomi então instruiu-a nos princípios e práticas do judaísmo, e Ruth tornou-se uma convertida devota. Naomi e Ruth chegaram a Belém (Bet Lechem), em Judá, “no começo da colheita de cevada” (Ruth 1:22). Ruth, que não semeou nos campos de Israel, recolhe espigas que caem por detrás dos ceifadores e, assim, ganha o pão para si e para sua sogra. A moabita continua a obedecer aos conselhos de sua sogra, pois sabe que todos eles são produto de sua sabedoria e seu amor profundo. Após viver algum tempo em Belém em grande pobreza, Ruth casou mais tarde com Boaz, parente de seu falecido marido. Embora Ruth fosse fisicamente incapaz de ter filhos, Deus realizou um milagre e ela concebeu. Ruth sobreviveu até o reinado de seu tataraneto Salomão. Nada com uma convertida para dar glória aos judeus.

HENRIQUE VELTMAN é jornalista 
 E-mail: hbveltman@gmail.com

 

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