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Segunda-feira, 11 de Maio de 2026
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Violência entre jovens reacende debate sobre educação emocional de meninos

Com mais de 87 mil casos de violência sexual registrados no país, cenário reforça a urgência de discutir empatia, limites e consentimento desde a infância

Redação
Por Redação
Violência entre jovens reacende debate sobre educação emocional de meninos
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Casos recentes de violência sexual envolvendo jovens voltaram a acender um alerta na sociedade brasileira e reacenderam um debate urgente: como meninos estão sendo educados emocionalmente.

O tema ganha ainda mais relevância diante dos números. Dados do Ministerio da justiça e do Ministerio da  Saúde registram mais de 83 mil casos de estupro no pais, o equivalente a aproximadamente 9 vítimas por hora ou um estupro a cada seis minutos. Entre 2022 e 2025, a média foi de 15 casos de estupro coletivo por dia. Além disso, 77% das vítimas são crianças e adolescentes, e, em 66% dos casos, a violência ocorre dentro de casa.

Para a psicóloga e neuropsicóloga Fernanda Silva, os dados evidenciam uma falha estrutural na forma como questões emocionais são trabalhadas desde a infância. “Esses casos escancaram uma falha importante na educação emocional dos meninos. Ainda vivemos em uma cultura que prioriza o desempenho, a força e a virilidade, mas negligencia o desenvolvimento da empatia, do respeito e da responsabilidade afetiva”, afirma.

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Segundo a especialista, a ausência de uma educação voltada para o reconhecimento do outro pode influenciar diretamente comportamentos na juventude. “Quando uma criança não aprende a reconhecer o outro como alguém com direitos e sentimentos, ela pode crescer com uma visão distorcida das relações. A falta de conversas sobre limites e consentimento pode levar à naturalização de comportamentos invasivos e, em casos mais graves, violentos”, explica.

A construção social da masculinidade também é um ponto central nesse cenário. Desde cedo, muitos meninos são incentivados a não demonstrar vulnerabilidade e a associar masculinidade a poder e controle. “Essa construção começa nas pequenas falas do dia a dia e vai sendo reforçada ao longo da vida, podendo se traduzir em comportamentos de imposição e desrespeito aos limites do outro”, destaca Fernanda.

Outro fator relevante é a dificuldade de lidar com emoções. “Quando não aprendem a reconhecer sentimentos como tristeza, rejeição e insegurança, muitos meninos transformam essas emoções em raiva ou impulsividade. Isso impacta diretamente a forma como lidam com o ‘não’, que é central quando falamos de consentimento”, pontua.

A especialista reforça que o tema do consentimento deve ser trabalhado desde cedo, de forma adequada à idade. “É importante ensinar que ninguém é obrigado a dar beijo ou abraço, que o corpo do outro deve ser respeitado e que é fundamental saber dizer e ouvir ‘não’. Com o tempo, essas conversas evoluem para relações e responsabilidade afetiva”, orienta.

Embora a família tenha papel essencial nesse processo, Fernanda ressalta que a responsabilidade é coletiva. “A família é o primeiro espaço de aprendizado, mas o que muitas vezes falha é a ausência de diálogo e a reprodução automática de padrões antigos. Ainda há diferenças na forma como meninos e meninas são educados, o que perpetua desigualdades”, afirma.

Nesse contexto, a escola também aparece como agente fundamental na formação emocional. “Programas de educação socioemocional, rodas de conversa e debates sobre respeito e convivência são ferramentas importantes. A escola pode ampliar o repertório emocional e promover reflexão”, diz.

Apesar do cenário preocupante, a especialista destaca que há possibilidade de mudança, especialmente na adolescência. “É possível reverter padrões de comportamento, mas isso exige diálogo, acompanhamento e, muitas vezes, intervenção profissional. O mais importante é compreender as emoções por trás das atitudes”, conclui.

Diante de dados tão alarmantes, o debate sobre educação emocional, limites e consentimento se mostra cada vez mais necessário, não como uma responsabilidade individual, mas como um compromisso coletivo da sociedade.

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