Katia, além de bonita, era extremamente individualista. Só pensava em si mesma. Quanto aos outros, não tinha qualquer importância. No serviço, na família ou na faculdade. Sempre olhava, primeiro, para o seu umbigo. Valorizava sua beleza, de rosto e corpo.
Nos inúmeros relacionamentos amorosos que teve, cansou de deixar seus namorados na saudade, principalmente na cama. Enfim, ninguém conseguia mudar o seu gênio de autoritarismo. Só ajudava alguém, caso levasse alguma vantagem.
Orgulhosa
Em casa, seus irmãos e pais sofriam em suas mãos. Em 28 anos de vida, nunca lavou um prato ou uma calcinha. Empurrava os trabalhos domésticos para a irmã caçula, o burro de carga da família. Carregava o piano para a felicidade dos outros.
“Não nasceu e não vai nascer alguém que mude o meu jeito de pensar”, ressaltava orgulhosa. “Homem nenhum me usará como máquina de prazer. Valorizo o meu corpo”, enfatizava para as colegas da faculdade de arquitetura da USP (Universidade de São Paulo).
Faxineira
Mas o mundo é cheio de surpresas. A roda gigante da vida coloca o orgulhoso de hoje do lado de baixo no futuro e vice-versa. O próprio Jesus Cristo alertou que “o dia mau iria vir para os bons e para os maus”. Quando, só o grande Mestre saberia.
Numa manhã chegou ao trabalho e foi convocada à gerência de RH. Estava demitida por justa causa, acusada de roubo. Alegou inocência. Na saída para sua sala, encontrou a faxineira, tantas vezes humilhada por ela. “Dona Kátia, a gente colhe o que planta, inclusive tempestade”, disse. Tardiamente, a arrogante de ontem, sentiu o gosto amargo do dia mau...
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