Pense numa pessoa vidrada em música norte americana. Sem conhecer, você estaria ao lado de Gilson. Branco, olhos castanhos e cabelos bem lisos, porém amante de cantores, cantoras e bandas dos Estados Unidos. Conhecia os nomes dos principais vocalistas.
Gostava tanto de Soul Music que acabou virando DJ na década de 70. Época dos famosos discos de vinil. Alguns deles custavam fortuna, pois sumiam rápido das lojas. Nada disso se constituía em problema. Gilson juntava dinheiro e comprava.
Frequentava a famosa galeria da Rua 24 de Maio, aonde as novidades chegavam quentes, numa época em que não existia rede social e muitos menos youtube ou Google. Muitas meninas ficavam curiosas em saber como era a imagem de determinado artista, que tocava bastante nos bailes.
Amor
Quando soube que James Brown iria se apresentar no ginásio do Palmeiras em agosto de 1978, começou a juntar dinheiro com vários meses de antecedência. No grande show, ele marcou presença. Saiu da Vila Santa Catarina, Zona Sul e ficou diante do palco.
No início da madrugada daquele sábado memorável surgiu ancorado numa banda repleta de metais e muito balanço, um de seus ídolos. Pela sua mente imaginava James Brown, um negrão de 2 metros de altura, verdadeiro guarda-roupa.
Não se decepcionou, porém ficou encucado com aquele baixinho, talvez de 1,60 metro, mas com voz de quem tinha Black Music no sangue. Observou que seus músicos tocavam com amor, o baterista parecia que iria arrancar os pratos por causa da força que batia.
Clara
Voltou para casa alegre. Da sua cabeça não saiam as imagens de uma jovem que conheceu naquela festa. Negra, cabelo bem crespo, e de olhos negros cheios de vida. Clara era o seu nome. Alta e de corpo esguio. Enfim, a mulher dos sonhos. Passou a encontrá-la em outros bailes, principalmente no clube Homs na Avenida Paulista.
Logo enturmou com os irmãos dela, também amantes de música negra americana. Bancária, Clara estava na função de caixa há cinco anos no então banco Commind, cuja agência ficava próximo da Rua São Bento. Amor ficou intenso e logo pensaram em ficarem noivos e chegar ao grande dia.
Quando faltavam três meses para o casamento, Clara começou a sentir fortes dores de cabeça. Às vezes desmaiava. Não quis acreditar, mas Gilson lembrou de Tammi Terrell, parceira de Marvin Gaye, com quem apaixonadamente cantava a bela canção “Your Precious Love”. Foi ao som desta música, que Clara adormeceu para sempre no colo de Gilson, numa tarde ensolarada de sábado....
https://www.youtube.com/watch?v=FbX66Ddxtow
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