São Paulo de Fato - As principais notícias do Brasil e do Mundo

Domingo, 09 de Agosto de 2026
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Crônica

“Zoio de Cão”, o terror do sertão

Seu hobby favorito era castrar o sujeito que largasse alguma moça grávida

Redação
Por Redação
“Zoio de Cão”, o terror do sertão
Tony Fernandes
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Corria a década de 1930, grande parte do sertão do Norte e Nordeste ainda estava sob domínio dos coronéis, que eram proprietários de grandes glebas de terras. Ali, a lei era feita por eles. Decidiam quem continuaria vivo ou desaparecia da face da Terra.

No Interior de Pernambuco, na pequena Orobó, um negro de quase 2 metros de altura, muito forte (derrubava um boi, usando apenas sua mão direita), colocava respeito e medo em quem saísse fora  da linha. Era conhecido como “Zoio de Cão”, por causa da vermelhidão dos  seus olhos.

Seu hobby favorito era castrar o sujeito que largasse alguma moça grávida e tentava fugir do casamento. Usava seu facão, que pesava 10 quilos, para cortar os “bagos” do infeliz, além de obrigá-lo a comer uma farofa feita de sua própria carne.

Leia Também:

“Não nasceu homem para me botar medo”, gritava na praça da cidade, batendo no peito. Por causa do medo que incutia no povo; gostava de estuprar meninas ainda virgens, além de tomar o sangue que saia da vagina delas naquele ato de violência, misturado com cachaça.

Do outro lado da cidade, afastado do centro; o tímido e medroso Gilfrânio vivia num pequeno sítio onde plantava frutas, verduras e legumes. Viúvo, era pai de três adolescentes e da jovem Mariana; menina linda, cabelos negros iguais de índia, olhos cor de mel e morena jambo.

“Zoio de Cão” detestava Gilfrânio. “Homem para mim precisa ser macho. Botar para ferver. Só corno para viver quieto e falar baixo”, xingava ele, quando alguém ousava comentar a respeito de Gilfrânio. 

Quando tinha dez anos, a rezadeira da cidade, conhecida como Vó Quitéria, lhe deu uma garrucha de 2 canos de presente. “Meu filho Gil, guarde essa garrucha. Um dia, ele vai te livrar da morte”, profetizou a benzedeira.

Trinta anos se passaram. Numa Sexta-Feira da Paixão, “Zoio de Cão” acordou nervoso; foi até a cidade e avisou a todos, que até o final do dia, os três filhos adolescentes de Gilfrânio seriam castrados, e que ele tiraria a virgindade de sua filha e beberia o sangue de sua honra com cachaça.

Como notícia ruim não anda, mas voa; logo Gilfrânio ficou sabendo que iria se tornar vítima do flagelo de Orobó. Tinha razão. Até os capangas de Lampião tinham medo de “Zoio de Cão”. A polícia fingia que ele não existia. Ninguém ousava enfrentá-lo. “Coroné Crispin”, o dono da cidade,  o usava para reeleger seus filhos prefeitos de Orobó.

No dia da eleição, “Zoio de Cão” esperava na boca da urna quem fosse votar e dava o aviso: “Quem não quiser ficar capado, só votar nos homens do “Coroné Crispin”. “Do contrário, deixará de ser homem para sempre”, ameaçava;

O terrível dia chegou para Gilfrânio e sua família, quando a jovem Mariana ouviu o barulho da porteira do sítio caindo sob as patas do cavalo de “Zoio de Cão”. “Papai, a morte tá vindo a galope para cá”, avisou desesperada e tremendo de medo, o seu pai, que segurava nas mãos a garrucha que nunca havia usado.

“Gilfrânio, vou capar seus três filhos agora. E “os bagos” deles você vai fazer uma farofa para que eles comam. Tua filha vou fazer mulher agora e o sangue da honra dela irei beber na cachaça misturada com pimenta malagueta”, esbravejou, descendo do seu cavalo, com o seu temível facão na mão direita.

Ao ver “Zoio de Cão” avançando em sua direção, Gilfrânio apontou a garrucha na sua direção. “Tu não é homem para atirar em mim. Vou quebrar essa garrucha, moer o que restar dela e enfiar na tua garganta. Você é um frouxo”, gritou erguendo o facão para cumprir sua ameaça contra um dos filhos do apavorado Gilfrânio.

A garrucha guardada há 30 anos, balançava nas mãos de Gilfrânio. Nunca ele havia dado nenhum tiro com ela. Mesmo assim mirou na direção de “Zoio de Cão” e apertou o gatilho. A bala não saiu. A três metros de distância, Gilfrânio tentou alvejar “Zoio de Cão” de novo.

A bala saiu e lhe acertou a testa. Ele caiu, com a boca espumando, os olhos vermelhos iguais pimentas revirando, as mãos socando o chão. O facão caiu longe da mão direita. Gilfrânio pegou e com quatro golpes cortou o seu pescoço, e segurou nas mãos a cabeça do terror de Orobó. Nunca se pode desprezar a coragem de um homem medroso na defesa de sua família.

FONTE/CRÉDITOS: Aristóteles Ambrósio
Comentários:
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!