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O casal Fabíola Mirella e Sérgio Penna, professores e grandes conhecedores da arte de ensinar a tocar Viola Caipira, justifica o ditado popular que diz que “os grandes perfumes ficam guardados em frascos pequenos”.
É numa casa térrea simples, porém de amplo quintal, na Rua Dr. Zuquim, 80, Santana, Zona Norte, perto da estação Santana do Metrô, é que fica o Vale do Silício da Viola Caipira. Ambos experts na arte de ensinar como tocar esse instrumento, que tem 25 tipos de afinações e dez cordas, já lecionaram nos últimos anos para cerca de 500 alunos.
Os simpatizantes, a maioria profissionais liberais, aprendem a rica técnica de dedilhar canções sertanejas imortalizadas por duplas famosas, como Tião Carreiro e Pardinho, Zilo e Zalo, Léo Canhoto e Robertinho, Pedro Bento e Zé da Estrada, Belmonte e Amaraí, Tibagi e Miltinho, Mococa e Moraci, Tonico e Tinoco entre outros.
Dois exemplares
“Poucos sabem, que a primeira música caipira gravada no Brasil, foi em 1929, pela dupla Caçula e Mariano, "Moda de Viola Jorginho do Sertão". E o precursor deste gênero foi Cornélio Pires. Naquela época não se podia errar. Precisava ensaiar muito para fazer o disco, os famosos bolachões”, recordou Fabiola Mirella.
Hoje, na avaliação de Sérgio Penna, que também leciona Viola Caipira, este gênero musical ficou banalizado. “Com exceções, as letras são sofríveis, arranjos pobres e sem o carisma de canções antigas, que o tempo não conseguiu apagar”, descreveu.
Para justificar o “QI” nesta arte de ensinar a tocar Viola Caipira, pegou um dos modelos fabricados sob encomenda, da qual só existem dois exemplares no mundo, e em poucos minutos, solou parte do “hino nacional brasileiro”, “Saudade de Minha Terra”, “Chico Mineiro”, com a competência que somente os grandes músicos têm.
Voz aguda
O grupo de alunos deste conservatório faz parte da Orquestra Violeiros do Rancho, que participam de apresentações em diversas regiões da cidade. “É um incentivo. A pessoa percebe que não é mais uma na multidão. Deixa de lado a conversa de que é difícil tocar Viola Caipira”, explicou.
Fabíola, que cursou faculdade de Música, destaca que o estilo de cantar o sertanejo em voz aguda, não é proposital. “Na época, por falta de recursos técnicos, para o microfone captar bem a voz, era preciso explorar bem o agudo, do contrário não saia no disco. Com o tempo, virou marca registrada”, disse.
No amplo quintal, dos fundos do conservatório, regado com salgadinhos e manteiga produzida nas fazendas do Interior de Minas Gerais e bebidas de bons alambiques, os alunos se reúnem às quintas-feiras para, numa roda de viola, mostrar suas habilidades e ostentar o título de violeiro caipira, com amplo conhecimento musical. Uma dica é ouvir os CDs Violeiros Matutos e Estrada de Terra, com Fabíola Mirella e Sérgio Penna.
Serviço:
Rancho dos Matutos
Rua Dr. Zuquim, 80, Santana, próximo à estação Santana do Metrô.
Fones: (11) 99193-9866/99823-1110.
Aulas são ministradas individualmente, uma hora por semana. Os horários são pré-definidos entre aluno e professor. Mais informações no site www.ranchodosmatutos.com.br