Juvêncio era excessivamente fã do presidente Bolsonaro. Se alguém tivesse procurando encrenca, só um comentário maldoso contra o chefe da Nação e a briga começava, com direito a socos e pontapés e até facadas.
“Não admito que ninguém fale mal deste homem. Grande guerreiro. Livrou o Brasil do comunismo da turma do Lula. Raça de ladrões e pervertidos. Só defendem destruição da família brasileira”, justificava seu nervosismo ao ouvir críticas a Bolsonaro.
Hipnotizado, não enxergava os erros cometidos pelo governo federal. “Desemprego? Na minha casa, todos os meus cinco filhos estão trabalhando! Fome? Todo final de semana tem picanha, maminha e encho todo mundo de cerveja”, enfatizava.
Detestava o jornalismo da Rede Globo. “Emissora de televisão de satanás! Só apresenta programação incentivando a falência dos bons costumes”, esbravejava. Apresentar números, testemunhos. Nada disso mudava a opinião de Juvêncio. Bolsonaro era deus para ele.
Dos cinco filhos, todos adultos, a adolescente Mariana, morena de olhos cor de mel, cabelos cacheados e lindo corpo escultural, tinha todo o carinho dele. “Minha amada filha. Só eu e a mãe dela sabemos como foi difícil para vir nos alegrar neste mundo”, dizia.
Num churrasco de final de semana, Mariana sentiu falta de ar, febre, fortes dores de cabeça e caiu no quintal. Logo foi levada ao hospital de Campo Limpo, Zona Sul de SP. Sem vaga para doentes de covid-19. A ambulância do Resgate dos Bombeiros não encontrava nenhum local para socorrê-la. Minutos depois ela morria.
Triste com a perda da filha amada. Após o enterro começou, pela primeira vez, a pensar na situação da Saúde no Brasil. Ligou a televisão e assistiu ao presidente Bolsonaro falar que o brasileiro deve deixar de “mimimi” por causa da morte por covid-19....
Comentários: