Já era esperado que Lula não teria maioria no congresso e, por isso, suas vontades seriam menos obedecidas. Isso preocupou o governo no início, mas todos confiavam na habilidade política do petista que, em seus dois primeiros mandatos, " deu a letra ", às vezes de forma natural, porém , muitas delas de maneira obscura, como no caso do mensalão, que não afetou o presidente diretamente, mas era comandado pelo condenado aliado, José Dirceu.
Já em 2023, o cenário é diferente. O Brasil vem de um afastamento claro do petismo, inflamado pelas condenações de pessoas importantes do partido e de uma eleição absolutamente polarizada onde, pela primeira vez, dá para afirmar que o presidente eleito não era aprovado pela outra metade da população. Os 50,9% dos votos de Lula foram conseguidos a duras penas e isso fatalmente geraria uma dificuldade de governar.
As derrotas recentes no congresso têm demonstrado o que já era mais que esperado: Lula não tem base. Isso faz com que o governo passe muito tempo buscando aliança e caia em armadilhas, como a indicação de membros do centrão que deram as primeiras dores de cabeça, a exemplo da ministra do Turismo, Daniela do Vaguinho e do ministro das comunicações, Jucelino Filho, ambos do UNIÂO BRASIL, partido que une o centrão e que joga também com a oposição.
Lula tem tentado se virar como pode e já admitiu publicamente a possibilidade de negociar mais cargos, ministérios, etc. A atitude demonstra muito desespero e mostra que o governo pode se arruinar a qualquer momento, fruto da falta de maioria e também de alguma traição, caso ocorram o desembarque de legendas importantes, como PSB e o próprio UNIÂO.
Com o clima, Lula tem mostrado certa tristeza e desânimo, de acordo com interlocutores, a cada despacho que precisa realizar. Com isso é possível entender que, talvez, para Lula fosse melhor o parlamento não existir, assim poderia colocar sua vontades em prática, coisa que parece quase impossível hoje.
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