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Sexta-feira, 25 de Setembro 2026
Saúde

São Paulo registra a maior taxa de homens infectados com HIV dentre as capitais brasileiras

De acordo com o Ministério da Saúde, 900 mil pessoas vivem com HIV no país

Redação
Por Redação
São Paulo registra a maior taxa de homens infectados com HIV dentre as capitais brasileiras
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De acordo com o Ministério da Saúde, 900 mil pessoas vivem com HIV no país (Foto: Reprodução)

Um em cada cinco homens que fazem sexo com outros homens são portadores do vírus HIV na cidade de São Paulo, é o que apontou um estudo da Universidade Federal do Ceará que avaliou a eminência da doença sexualmente transmissível em 12 municípios brasileiros. A capital paulista foi a que apresentou maior taxa dentre as demais, com 24,8%.

A segunda cidade com maior taxa é Recife (21,5%), seguida por Curitiba (20,2%), Belém (19,2%), Rio de Janeiro (15,2%), Manaus (15,1%), Belo Horizonte (14,5%), Porto Alegre (10,5%), Fortaleza (10%), Campo Grande (9,5%), Salvador (8,6%) e Brasília (5,8%). A taxa média de homens com HIV nas capitais analisadas fica em torno de 18,4% em relação a cada 100 mil habitantes.

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A pesquisa utiliza o termo homens que fazem sexo com outros homens para se refere estritamente a pessoas do gênero masculino que mantém relações com indivíduos do mesmo sexo e que não necessariamente se declaram gays.

O estudo é de 2016 e contou com 4.176 pessoas do sexo masculino, no qual 3.958 concordaram em fazer o teste do HIV. Cerca de 83% assumiram ser solteiros e 17,5% deles tiveram resultado positivo para contrair o vírus. Além destes, somando a outros participantes que disseram ser soropositivo, se eleva o número para 18,4% infectados em relação ao total de participantes.

O levantamento constatou que o número de homens jovens que contraiu a doença aumentou nos últimos dez anos, já que 58% dos portadores de HIV possuem entre 15 e 19 anos, sendo que no período de 2006 a 2015, triplicou a taxa de infectados de 2,4 para 6,7 casos para cada 100 mil habitantes. Neste período de tempo, houve aumento de 35,5% para 46,2%, se comparada todas as categorias de casos de AIDS relatadas. Também se notou que o HIV atingiu um maior número de pessoas entre 20 e 24 anos e de idosos maiores de 60 anos.

Desde o primeiro surto de AIDS no planeta, em 1981, a Organização Mundial da Saúde estima que já morreram 35 milhões de pessoas acometidas pelo HIV, número que é quase equivale ao total de pessoas que atualmente são portadoras do vírus ao redor do globo, cerca de 36,7 milhões de soropositivos, sendo 34,5 milhões adultos e 2,1 milhões crianças e jovens de até 15 anos.

Estima-se que somente na África, o continente mais afetado, viva em torno de 25,7 milhões de infectados. No Brasil, 900 mil pessoas atualmente são portadoras, o equivalente a 0,4% da população, no entanto, 85% tratam-se de casos notificados o que significa que este número pode ser maior.

Dados internacionais da OMS de 2016 revelam que naquele ano 1,8 milhões de novos infectados foram registrados, um a cada 17 segundos, da mesma forma, 1 milhão de mortes ocorreram por complicações imunológicas por causa da doença em todo o planeta. Ao longo das últimas décadas, houve um salto em comparação ao número de pessoas que vivem com HIV no mundo: em 2000 eram 27,7 milhões; em 2010 eram 33,2 milhões e em 2015 registrou-se 36,1 milhões.

Sem medo da AIDS - Apesar do aumento assustador da quantidade de pessoas que contraíram o vírus, o número de mortes em decorrência do HIV diminuiu no mesmo período, pois em 2000 contabilizou-se um total de 1,5 milhões de mortes ao redor do globo contra 1 milhão em 2016, diminuindo a incidência gradativamente.

O que explica a elevação da taxa de infecção em contrapartida ao número reduzido de óbitos é a indiferença das gerações mais novas em relação à doença, que apavorou a muitos na década de 1980 quando surgiu justamente por não se ter conhecimento científico para tratá-la, diferente de hoje em que diversos tratamentos garantem que a pessoa portadora do vírus não morra em decorrência dele.

O diretor substituto do departamento de HIV/Aids e hepatites virais do Ministério da Saúde, Gerson Pereira, admite que é difícil convencer os mais jovens sobre o perigo de se contrair a doença, mesmo com diversos tratamentos atualmente disponíveis. “A gente sabe que o jovem de uma maneira geral não procura o serviço de saúde, para qualquer que seja a doença. Ele acha que não vai adoecer”, afirma.

Para o diretor, a Aids deixou de assustar como antigamente, quando era mais eminente o óbito em função do HIV. "Com relação a Aids, a gente tem observado que nesses 30 anos passamos de uma doença em que as pessoas morriam com 5 meses de diagnóstico para uma doença que hoje ninguém mais morre, se fizer um tratamento regular. Isso diminui o medo em relação a infecção."

Ele sugere que sejam intensificadas as campanhas de prevenção por parte dos órgãos públicos, através das redes sociais e em escolas, sem distinção de gênero, já que a doença sexualmente transmissível acomete tanto a heteros como a homossexuais. “A prevenção tem que trabalhar todos os espectros independentemente da orientação sexual da pessoa", disse Gerson.

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