Jorginho Trovão deixava os seus alunos em pânico. Com ele ninguém conseguia “colar” nas provas. Sempre invertia. Às vezes as folhas tinham as respostas e cabia aos estudantes explicarem, detalhadamente, qual o caminho percorrido para chegar ao resultado final.
Com 2 metros de altura, forte e muito nervoso, não admitia contestação. Quando ficava nervoso, todos sabiam, porque os seus gritos eram ouvidos em toda a escola. Além dos socos que dava na mesa e quadro negro. Dai, o apelido Jorginho Trovão.
Para dificultar a vida dos alunos, a maioria jovens recém-saídos da adolescência, usava óculos escuros e ficava sentado em cima da mesa. O sonho de “colar” ficava distante. Nunca ninguém conseguiu tirar nota acima de 5 com Trovão. Tudo seguia nesta pegada, até Jorginho ter uma aluna chamada Geórgia.
Morena jambo, lábios carnudos, olhos cor de mel, pernas bem torneadas e corpo violão, além de voz bem macia. Vestia saias ou vestidos bem ajustados. Os decotes deixavam à mostra parte do seu sutiã, geralmente de renda e sensual.
Géorgia, assim como o restante dos colegas de sala, encontrava dificuldade para tirar boas notas em Física. Em uma das provas, Jorginho imaginou que sua doce aluna estava “colando”. Ameaçou retirar a folha de sua carteira. Ela olhou bem no fundo dos olhos dele e passou a língua ao redor de seus lábios sensuais.
Logo ocorreu a química do amor entre ambos. Jorginho recuou. Ao terminar a aula, Geórgia foi até a mesa e pediu que ele a levasse até o ponto de ônibus, pois era uma das últimas alunas a sair da sala. Pedido aceito. No caminho passaram diante de um motel. Jorginho entrou e Geórgia sorriu maliciosamente.
Desde aquela noite, o apelido trovão não teve mais justificava na vida de Jorginho. Tornou-se adepto da filosofia Paz e Amor. Deixou de perseguir seus alunos. Passou a viver em harmonia. Ao lado de Geórgia, a vida ganhou outro colorido, justificando o ditado de que até os brutos conseguem amar....
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