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Domingo, 27 de Setembro 2026
Política

Protestos contra a prisão de Lula continuam após duas semanas

Manifestações acontecem de forma pontual e solitárias. Lula se manifestou por carta

Redação
Por Redação
Protestos contra a prisão de Lula continuam após duas semanas
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Continuam após duas semanas os protestos contra a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em São Paulo e no Brasil. No começo da noite da última terça-feira (17) manifestantes se reuniram na zona sul da capital paulista contra a condenação do petista. O ato aconteceu durante a noite e se iniciou na estação Morumbi, seguindo até a sede da Rede Globo.

Segundo os orga nizadores do protesto, cerca de 300 pessoas se fizeram presente. Eles fecharam duas das vias da Marginal Pinheiros, gritando palavras de ordem contra a emissora e em denúncia à prisão, “Lula é inocente, Lula presidente” e “o povo não é bobo, abaixo à Rede Globo”. De acordo com o movimento ligado à entidades de esquerda, trata-se de uma ato contra um “golpe político-midiático”.

Para os manifestantes, não apenas a emissora televisiva, mas outros veículos e a mídia como um todo contribuíram para uma “farsa” que culminaram na condenação do petista e também o impeachment de Dilma Rouseff que completa dois anos. O ato terminou às 19h30, com a patrulha da PM e não houve feridos.

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No começo da semana (16) a polícia militar teve que intervir contra manifestantes que invadram o triplex do petista condenado na operação Lava-Jato pelo Juiz Sérgio Moro. Cerca de 30 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto pularam os portões da propriedade que foi o motivo e algoz da prisão de Lula.

Conforme reportagem da Folha de S. Paulo, durante a madrugada, 20 ônibus do MTST levando ao todo 100 pessoas chegaram ao edifício Solaris, onde fica localizado o triplex, no Guarujá. O momento da invasão durou pouco mais que cinco minutos, quando uma parte dos manifestantes entrou no local pulando os portões de acesso e subindo pelas escadas até o andar do apartamento alvo de propina.

Já dentro da propriedade ligada à Lula, os manifestantes fixaram bandeiras e gritaram palavras de ordem como “não tem arrego, ou solta o Lula ou não vai ter sossego” e “aqui está, o povo sem medo de lutar!”. Faixas colocadas na sacada do prédio diziam a intensão do protesto “se é do Lula é nosso! se não é por quê prendeu?”.

Questionado, o líder do Movimento, Guilherme Boulos foi incisivo. “Estamos denunciando a farsa judicial que levou Lula preso. Se o triplex é dele então o povo está autorizado a ficar lá. Se não é, precisam explicar o porquê de sua prisão”, disse.

Moradores do condomínio, boa parte idosos, que já estão bastante contrangidos com toda a situação envolvendo o apartamento vizinho atribuído à Lula, reclamaram do barulho e do tumulto causado pela invasão. Segundo um deles “houve muito barulho e algazarra, pensei que estavam quebrando o apartamento”, falou. Uma senhora que também reside no condomínio se assustou com a ocupação. “Ficamos com medo. Eles entraram na nossa casa”, relatou.

Assim como no Estado de São Paulo, em todo o País os protestos se prolongam em favor de Lula, porém de forma pontual e separada. Ainda na segunda (16) em Recife, manifestantes também do MTST fecharam avenidas importantes com pneus e atiaram fogo, contra a condenação do ex-presidente.

A bancada do PT tem se colocado contra o cárcere do ex-metalúrgico em sessões das assembleias legislativas estaduais. No Mato Grosso, parlamentares e manifestantes pró-Lula que ocuparam assentos empunhavam fotos do rosto de ex-presidente e a frase “Lula Livre”. Deputados como João Grandão e Pedro Kemp do partido se posicionaram contra a condenação na Lava-Jato e ao Impeachment de 2016, se pronunciando em favor dos movimentos esquerdistas no Brasil.

Para o deputado Grandão “O que aconteceu com a Dilma foi um massacre à democracia, um golpe que tirou da Presidência uma mulher lutadora que foi acusada daquilo que não fez”. Já Kemp citou o sociólogo Jessé de Souza, lembrando sua fala. “É uma classe média hipócrita e burra, que não aceita que tenha pobre atuando por políticas públicas para outros pobres”, referenciando o ex-presidente.

Nesta semana, Lula se manifestou pela primeira vez desde que foi detido pela justiça, quando uma carta atribuída à ele foi enviada por advogados ao PT que divulgou o escrito a acampantes alojados há 10 dias no entorno da sede da Polícia Federal em Curitiba-PR. O documento foi lido pela Presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann, que segundo ela, tem se comunicado apenas por carta com os advogados de Lula por não conseguir visitá-lo.

Na carta, o petista desafia a autoridade da PF e do Ministério Público. “Continuo desafiando a Polícia Federal da Lava Jato, o Ministério Público da Lava Jato, o Moro e a 2.ª instância a provarem o crime que alegam que eu cometi”, confrontou. No mesmo texto, Lula agradece o apoio dos manifestantes e afirma continuar “acreditando na justiça”. “Estou tranquilo, mas indignado como todo inocente fica indignado quando é injustiçado”, se referindo à pena de 12 anos e um mês.

Desde que houve a prisão, cerca de 500 pessoas permanecem nos arredores da PF acampados em apoio ao ex-metalúrgico. Moradores da região reclamam da presença dos manifestantes e a polícia chegou a regstrar algumas ocorrências devido aos protestos. No dia 17, por determinação judicial, o acampamento “Lula Livre” mudou de lugar, se fixando a três quarteirões do prédio da Superintendência da Polícia Federal, na capital paranaense, e não mais a cem metros do edifício da PF como antes.

Lula foi condenado na Lava Jato por receber o triplex como propina pela OAS, envolvida no escândalo de corrupção da Petrobrás. De acordo com o que os procuradores do caso alegam, o petista sabia da corrupção na estatal e por isso autorizava que a empreiteira obtesse contratos superfaturados para suas obras.

Mesmo preso, o ex-presidente lídera as intenções de votos para as eleições presidenciais em outubro, no entanto, a prisão o torna inelegível conforme a Lei da Ficha Limpa determina. De acordo com o Datafolha, Lula tem 31%, à frente de Jair Bolsonaro (PSL) que tem 15% e Marina Silva (Rede) em terceiro com 10%.

FONTE/CRÉDITOS: Leonardo Zamperlin

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