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O Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 deve continuar no Autódromo de Interlagos pelo menos até 2020, quando vence o contrato com a organização do evento. O prefeito Bruno Covas e o governador João Doria defenderam hoje, em entrevista coletiva, a permanência do evento na cidade de São Paulo nos próximos anos e que não há motivos para transferi-lo para outra cidade, como o Rio de Janeiro.
“No ano passado tivemos um Grande Prêmio que foi um sucesso. Desde o final do último GP iniciamos as tratativas para renovar o contrato para depois de 2021 e, neste período, não encontramos nenhuma resistência. Estamos discutindo os termos dessa renovação”, afirmou o prefeito Bruno Covas. Segundo ele, em junho, representantes da F1 estarão em São Paulo para dar continuidade às negociações para a permanência do evento em São Paulo.
“Fomos pegos de surpresa com esse anúncio, já que as tratativas sobre o assunto estão dentro da normalidade e no prazo normal da renovação”, afirmou Bruno Covas. O prefeito destacou que a F1 provoca um impacto positivo de R$ 334 milhões na economia da cidade de São Paulo. São os turistas que vem para São Paulo, pegam táxis, frequentam restaurantes e ficam hospedados nos hotéis. Logo, a prefeitura vai lutar para manter o evento na capital paulista.
O governador João Doria também defendeu a permanência da F1 na cidade de São Paulo e não há motivos para a transferência para o Rio de Janeiro. Doria também lembrou que há sanções e multas pesadas em caso de rompimento de contrato. De acordo com o governador, tanto ele como o prefeito Bruno Covas não vão abrir mão da F1 em São Paulo, que tem vocação natural para sediar o evento e um dos melhores circuitos automobilísticos do mundo, atestados por quatro gerações de pilotos de F1 que colocam Interlagos como um dos cinco melhores circuitos do mundo.
Não apenas a cidade de São Paulo se orgulha de ter a Fórmula 1, como também estamos buscando ter outros eventos da FIA, como a prova de Endurance. Continuamos em tratativa com a Fórmula E, para que inclusive São Paulo seja a única cidade no mundo a ter as três principais provas da FIA”, disse o prefeito.
Economia
O último GP do Brasil, realizado em novembro de 2018 na cidade de São Paulo, movimentou a economia da capital. O impacto no turismo foi de R$ 334 milhões, um crescimento de 19,2% frente aos R$ 280 milhões registrados no ano passado. Houve aumento de todos os indicadores em relação a 2017. As informações foram apresentadas pela Secretaria Municipal de Turismo.
Valores
A Prefeitura não paga nenhum valor à organização da F1 para sediar o evento. Os benefícios são para a economia da cidade como um todo, na geração de renda, empregos e visibilidade.
O prefeito Bruno Covas afirmou, durante a coletiva de hoje, que não está em uma cruzada contra o presidente Jair Bolsonaro, que anunciou a transferência da Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. Bruno Covas afirmou que está apenas defendendo os interesses da cidade de São Paulo. O prefeito afirmou que o presidente pode ter sido induzido a um erro e que, em momento algum, foi colocado qualquer obstáculo que colocasse em dúvida a renovação do contrato ou inviabilização da prova na cidade de São Paulo.
Concessão de Interlagos
Na última quarta-feira (8), a Prefeitura de São Paulo encaminhou a Câmara Municipal o Projeto de Lei (PL) que propõe incluir na Lei n° 16.703/17 a hipótese de concessão e/ou permissão de vários serviços, obras e bens, entre eles o Autódromo de Interlagos, protocolado com um expresso pedido de urgência em sua tramitação. A atualização e a nova redação das legislações citadas no PL vão dar novos instrumentos para a Prefeitura viabilizar parcerias com o setor privado.
“Nós esperamos que os vereadores possam avançar ainda neste mês para que possamos ter aprovada a concessão e liberar a Prefeitura a lançar os editais que são necessários para avançar com este projeto”, disse Covas.
O Complexo Interlagos é um equipamento público subutilizado que, atualmente, custa por ano, aproximadamente, R$ 40,9 milhões. Caso o município continue arcando com esses valores e realizando novos investimentos, haverá substancial risco de comprometer o financiamento de outras políticas públicas essenciais aos munícipes paulistanos. Por este motivo, propôs o redesenho do arranjo institucional da gestão do Complexo Interlagos.