Alexandre era o gerente tipo paizão. Defendia sua equipe de funcionários, igual a leoa na proteção dos filhotes. O resultado aparecia em elogios de clientes e mais lucros à empresa. Quando precisava advertir alguém, o convidava para tomar café e ali falava pausadamente a respeito da falha.
“Nunca me enganei a respeito do teu talento. Aliás, é por causa disto que você faz parte desta equipe. Creio que o erro cometido ontem, não vai mais se repetir. Afinal de contas, nenhuma pessoa erra por que gosta”, dizia.
Jamais gritava. Também tinha horror a colocar alguém na fritura para que a pessoa, por falta de estrutura emocional, pedisse a demissão. Quando percebia que a demissão seria a solução, fazia o comunicado educadamente.
Calejado
Por causa deste tipo de conduta estava no cargo há 25 anos. A diretoria o elogiava demais. Nunca teve problema com greve ou reclamações junto ao RH, a respeito de sua conduta. Enfim, no mundo cão que reina dentro de boa parte das empresas, Alexandre era igual mosca branca.
Na equipe de 50 empregados, metade era composta por mulheres, muitas delas bonitas, tanto de rosto quanto de corpo. A palavra assédio nunca ocorreu naquele time. Nas reuniões deixava bem claro, que do portão para dentro, os sentimentos amorosos por qualquer funcionário ou funcionária deveriam ser ignorados.
Calejado pela vida, sabia do resultado de quando alguém se apaixonava pelo colega de serviço. Principalmente quando o romance terminava. Do clima ruim, de encontrar o ex-namorado ou namorada nos corredores. A dor de conviver sem ter aquela pessoa mais ao lado.
Pressionado
Para preencher duas vagas surgidas por causa de aposentadoria. Autorizou a contratação de uma jovem de 25 anos, noiva e cursando economia na USP (Universidade de São Paulo). Gisele, muito comunicativa, logo se enturmou. Em seis meses conhecia vários diretores. Após o expediente, gostava de conversar a respeito das conquistas do dia.
De repente Alexandre notou que o diretor-geral passou a tratá-lo agressivamente. Nas reuniões, lhe fazia ameaças de mandá-lo embora. Numa manhã, teve de ir à presidência. Ali, acabou intimado a demitir 30% da equipe. Argumentaram que tinha muito funcionário. Pressionado ao extremo, resolveu sair após 25 anos de bons serviços prestados.
Ficou chocado. Fiel a Deus. Parou numa praça e perguntou ao Mestre o porquê de tudo aquilo. Não demorou em ouvir a voz suave de Deus. “Não fique decepcionado meu filho. Eu também já senti a dor da traição”. A funcionária Gisele, que ele tanto havia ajudado, denegriu sua imagem perante a diretoria. Maldosamente, o espionava. Meses depois, o fruto da ruindade surgiu. Gisele perdeu o trabalho, por justa causa....
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