Pablo no início da adolescência teve uma paixão intensa por sua vizinha, Margarida. Morena jambo, olhos verdes, cabelos lisos iguais aos de índias e corpo escultural. Aos 13 anos, sua beleza chamava a atenção de todos, principalmente na escola.
A paixão entre ambos foi igual pólvora no fogo: explosiva! Ficaram juntos de 1972 a 1978. Eram unha e carne. Não conseguiam estar distante um só dia. Os pais de Margarida e Pablo apostavam em casamento. Porém, ela se mudou para Campinas, deixando o Parque Peruche, Zona Norte de SP, mais triste.
Memória
O tempo passou. Pablo casou-se duas vezes. Mas de quando em quando vinha na memória a primeira paixão. A que deixa marca profunda no coração. Às vezes, acordava durante a noite e ficava pensando: como seria a vida deles, juntos. Divagava sempre.
Aos 65 anos, da memória não saia o último beijo que deu em Margarida, no distante 1978, quando ela visitou os seus pais. A viu rapidamente. Nunca mais a reencontrou. Procurou em redes sociais. Nada. Os dias passavam e o desejo de vê-la novamente aumentava.
Amor
Numa viagem ao Recife, estava aguardando o horário de embarque quando algo lhe chamou atenção: “Margarida Quintano, por favor compareça ao check in da Latam, com urgência”. O coração de Pablo acelerou. Chegou primeiro ao local.
Minutos depois, o primeiro e eterno amor dele se aproximou. Obesa, óculos de grau, de bolsa à tiracolo; Margarida não o reconheceu próximo o balcão. O rosto marcado por acnes e uma perna mecânica esfriaram Pablo. Às vezes é melhor ficarmos com as lembranças do passado....
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