Lucas era comilão de mão cheia. Nada escapava de sua boca. Traçava tudo. Ignorava rótulos. Culinária nordestina, estrangeira ou mesmo aquela dos famosos botecos de esquina. Mesmo assim, ele tinha aspecto raquítico. Não se espantava com o fantasma de engordar.
Nas festas, gostava de ficar ao lado da mesa de salgadinhos e doces ou perto da churrascaria. Não perdia tempo. Pegava um prato, enchia e a fome se rendia. Os amigos, conhecedores de sua fama, limitavam a cota de guloseimas para ele.
Pernil
A paixão por comida deixava de lado os namoros relâmpagos. Recusava companhias interessadas apenas no capital herdado do pai, rico fazendeiro, especialista em gado leiteiro, que ganhou muito dinheiro e deixou os três filhos em boa condição financeira.
Tinha horror de casar com alguém adepto de regime ou dieta vegetariana. Para Lucas, alimentação deveria ter excesso. Bife bom só com mais de 400 gramas, pernil ideal a partir de 2 quilos, coxa e sobre coxa de frango, de encher a churrasqueira.
Loura
De repente Lucas perdeu o apetite. Deixou de ir às festas. Só comia macarrão instantâneo. Não entendia o motivo. Quando colocava um doce de brigadeiro na boca, o estômago virava e precisava vomitar. Até sucos lhe fazia mal. Médico nenhum encontrava explicação.
Neste meio tempo conheceu a enfermeira Marluce. Ela passou a cuidá-lo com muito carinho. Loura de olhos azuis, bonita de rosto e corpo, alta. Despertou em Lucas o gosto pelo amor. Saiu do hospital para o casamento. Às vezes a doença nos abre olhos e coração....
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