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Terça-feira, 11 de Agosto de 2026
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Crônica

Nunca é tarde para mudar de vida

Naquela noite de Natal, de 2008, jantou ao lado de dona Gervasia

Redação
Por Redação
Nunca é tarde para mudar de vida
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Natalino era terrível. Causava dores de cabeça para sua mãe, a faxineira Gervasia, mulher de muita oração. Mesmo quando ele ficou na então Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor) no bairro do Tatuapé, Zona Leste de SP, até completar 18 anos, não desistiu de dizer que seu filho não estava perdido. Mas salvo.

Com 20 anos, em 1989, acabou preso por assaltar um banco. Neste crime, três comparsas morreram em tiroteio com a polícia. Condenado, a Justiça o encaminhou para a Casa de Detenção do Carandiru. Verdadeira faculdade do mal. Ao lado de 7.600 detentos, Natalino teve pós-graduação na triste arte de arrancar dinheiro de carro forte.

Nas visitas, dona Gervasia dizia que Deus ainda iria fazer algo de bom na sua vida. Não iria morrer na cadeia, porém sairia dali para nunca mais voltar. Na última visita antes do massacre de 2 de outubro de 1992, quando oficialmente 111 presos perderiam as vidas no confronto com a tropa de choque da PM, Natalino disse que sonhara com uma mão encobrindo o seu corpo.

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Sua mãe lhe falou que Deus estava lhe livrando da morte. Na hora da invasão da tropa de choque, Natalino ficou na cela, encolhido no canto e viu dois canos de submetralhadora surgirem na porta do xadrez cuspindo vários tiros. Nenhum dos 12 detentos sobreviveu. Para continuar vivo, ele fingiu-se de morto, até mesmo quando os corpos foram arrastados e levados ao necrotério.

Em 2005, após receber o alvará de soltura. Resolveu mudar de vida. Foi ao quintal dos fundos da casa onde morava com a mãe. Pegou um garrafão de ácido sulfúrico e jogou sobre as armas que estavam enterradas dentro de um caixote de plástico. Arrumou emprego de servente de pedreiro. Abandonou para sempre o crime.

Naquela noite de Natal, de 2008, jantou ao lado de dona Gervasia. Sua mãe pediu que Natalino cantasse a canção “Boas Festas” de Assis Valente.  “Amanheceu/o sino gemeu/ e a gente ficou feliz a rezar/Papai Noel/Vê se você tem/ a felicidade para nos dar...” Após dedilhar a música no violão, dona Gervasia encostou sua cabeça no ombro do filho amado, sorriu e adormeceu....para sempre!

FONTE/CRÉDITOS: Aristóteles Ambrósio
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