Monique era uma evangélica bem ardente. No jargão cristão, uma mulher de grande intimidade com Deus. Orava por todos, inclusive para os criminosos do bairro onde morava, na Zona Sul de SP, o famoso Jardim Ângela. Ninguém mexia com ela, quando chegava de madrugada em casa, após visitar os enfermos nos hospitais.
Nunca estava de mau humor. Sempre tinha palavra ânimo. Mesmo quando o cenário estava sombrio, encontrava refúgio no Evangelho de Jesus Cristo. Tinha quatro filhos, todos educados na fé protestante. Porém, a filha caçula, Graziane considerava a mãe fanática. Não concordava com as orações em voz alta, comuns em casa e dos hinos antigos.
Bíblia
“Mãe, pelo amor de Deus nunca apareça na USP para tentar converter meus amigos. Não quero passar vergonha e ser chamada de fundamentalista por eles”, dizia. “Meu doce, só irei lá quando Deus mandar”, desconversava Monique. Assim a rotina da família prosseguia, em meios aos louvores da harpa cristã e pregações da Bíblia.
Numa das aulas de Arquitetura, um dos professores começou a zombar dos evangélicos. “É um bando de loucos. Acreditam num Deus que nunca existiu. Trabalham para enriquecer pastores e passam fome em casa”, ironizou. “Professor, a Graziane é crente e parece ser meio maluca”, apontou um dos alunos.
Políticas
“Para com isso. Não tenho nada a ver com essa história. Acredito é em mim. Confio nos meus braços e saúde para trabalhar. Tá me chamando de doida. Sai para lá”, respondeu nervosa. A conversa rendeu durante vários dias. Logo, o assunto se espalhou para outras salas e os evangélicos eram alvos de piadas e xingamentos.
O assunto ganhou grande proporção, que o diretor sugeriu um debate com a presença de pastores, padres, espíritas, judeus e muçulmanos. A maioria expert neste tipo de evento. Tinham discurso afinado e eram especialistas nas respostas políticas, para não magoar ninguém.
Fuvest
Numa das orações, Monique descobriu que iria ocorrer esse evento e disse para Graziane que estaria na faculdade para assistir. “Pelo amor de Deus mãe. Não vá! A senhora vai queimar o meu filme, me matar de vergonha. Fique em casa”, disse. “Então você tem vergonha da Palavra de Deus? Ele te colocou em primeiro lugar na Fuvest, é assim que você agradece”, enfatizou.
No grande dia, Monique estava na plateia. A maioria gozando dos evangélicos, inclusive o professor que provocou a contenda. Graziane ficou distante de sua mãe. Disfarçava que não a conhecia. No final do evento, um dos pregadores, que substituiu o pastor medalhão, pegou o microfone e orou por todos.
Perdão
“Senhor Jesus, como fez Neemias, peço que tua misericórdia esteja nesta faculdade. Perdoe os erros de todos que fizeram gozação com a sua Palavra. Da filha, que tanto orou para entrar nesta faculdade, e hoje sentiu vergonha da mãe e de Ti. Perdoa a pessoa que duvidou da tua existência. Ressuscita o casamento dele, cura o seu filho caçula da leucemia. Visita a coluna dele e traga refrigério”, destacou na oração.
O auditório se calou. O professor se levantou, chorando pediu o microfone e pediu perdão pelo erro cometido. Ninguém sabia dos seus problemas. Só ele e sua família. Graziane imitou o geste dele e foi abraçar a mãe. E Disse que não iria ter mais vergonha de Deus. Aquela noite foi especial. Monique foi dormir sorrindo. Acordou no céu, após uma vida dedicada ao Evangelho....
Comentários: