Fogo não combina com água. Esta máxima é conhecida por qualquer pessoa. Assim era Anésio e Natália. Extremamente apaixonados, de não conseguir viver longe do outro, porém os gostos provocavam grande abismo entre ambos.
Milionário. Anésio tinha escritório na cobertura de um edifício elegante na concorrida Luis Berrini, região da Vila Olímpia, Zona Sul de SP. Comandava equipe de 90 funcionários na missão de assessorar financeiramente e juridicamente empresas à beira do abismo.
Mimo
Conheceu a linda Natália, loira, corpo esbelto, olhos azuis e muito sedutora. Advogada, logo caiu no gosto de Anésio. A paixão era tão forte, que no meio do expediente os dois saiam para fazer sexo num motel. Com dinheiro farto, a cobria de todo tipo de mimo, inclusive de carros importados.
Mesmo assim, Natália sentia-se objeto nas mãos de Anésio. Adorava funk carioca, principalmente as letras de apologia ao crime organizado. Já o seu amado adorava canções clássicas e óperas. Ela despolitizada, ele simpatizante da direita civilizada, interessada no progresso do Brasil.
Chiclete
De vez em quando brigavam. Ameaças de rompimento eterno. Após dois dias, juravam amor ardente e tudo voltava ao clima de paz. Aos 55 anos, Anésio estava de bem com a vida. Conta corrente repleta de dinheiro por aqui e no Exterior, iates, dois jatinhos Legacy e três helicópteros top de linha, além de várias mansões.
Natália morava no Itaim Paulista, Zona Leste de SP. Para chegar às 9h no escritório caia da cama às 5h30 da manhã. Pegava lotação e ônibus lotados para chegar ao terminal Corinthians/Itaquera. Não compensava vir de carro. De repente tomou nojo de Anésio e foi morar com Joca, seu vizinho, numa pequena casa de cozinha, quarto e banheiro. Às vezes a pobreza gruda nas pessoas igual chiclete....
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