Memória de elefante. Essa definição se encaixava para Júnior. Guardava diversos eventos importantes na mente. Com 50 anos, sua família e amigos o chamavam de enciclopédia ambulante e os adolescentes de pai do Google.
“Ponta-direita que salvou a seleção brasileira na Copa do Chile”, disparava alguém. “Garrincha, que até gol de falta marcou”, respondia na lata. “Maior traidor do futebol paulista”, emendava outro. “O atacante da Ponte Preta, Rui Rei, que cavou uma expulsão na final de 77, contra o Corinthians e depois foi jogar lá”, respondia.
“Melhor presidente do Brasil sem nunca ter assumido o cargo”, esquentava outro amigo, durante o churrasco de domingo. “Fácil, Tancredo Neves, que morreu sem subir a rampa do Congresso para tomar posse”, dizia com ironia. “Aquele que é considerado o quinto Beatles”, testava os fãs do Rock. “Barbada, o pianista Billy Preston, autor do solo de teclado no hit “Let it Be”, matava outra charada.
“Piloto brasileiro que sem ganhar um título mundial é considerado grande ídolo do automobilismo brasileiro depois de Ayrton Senna”, perguntou outro colega de farra de Júnior. “José Carlos Pace, morto num acidente aéreo na cidade paulista de Mairiporã em 1977. Ganhou só um GP”, respondia dando risada
Como ganhava excelente salário de consultor de economia para multinacionais, tinha vários cartões de crédito e inúmeras senhas. Um dia foi ao caixa eletrônico num restaurante de beira de estrada sacar dinheiro. De repente sentiu o cano de uma pistola encostar na sua nuca.
“Saca todo o dinheiro sem nenhuma reação”. De repente, Júnior não conseguia lembrar-se da senha. O ladrão começou a cutucar sua cabeça com o cano da arma. Mas ele não se lembrava da combinação de números para tirar o dinheiro. De repente sentiu algo quente entrar no seu crânio. Numa velocidade muito grande estava ao lado de grandes jogadores de futebol que já não faziam mais parte deste mundo. Quando a memória falha em uma hora dessas, a vida perde o valor....
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