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Profissionais da área da saúde que trabalham no Hospital de Campanha do Anhembi, montado na zona norte de São Paulo para atender vítimas da Covid-19, têm desistido de plantões já contratados por falta de equipamentos de proteção e pela carga excessiva de trabalho, segundo relataram à Folha.
A reportagem conversou com médicos e um enfermeiro que trabalham na linha de frente no atendimento às vítimas do novo coronavírus. Até a última sexta (21), 22 pacientes já haviam morrido no hospital, construído para atender os casos de baixa e média complexidade.
As operadoras responsáveis pela gestão do espaço negam que faltem insumos e espaço.
O hospital foi montado com 1.800 leitos no Complexo do Anhembi, pavilhão que costuma receber eventos de negócios, shows e apresentações esportivas. A Prefeitura de São Paulo contratou duas empresas para administrar o espaço, a Iabas e a SPDM, organizações que gerem equipamentos de saúde da rede pública.
Além do Anhembi, a prefeitura também adaptou o Estádio do Pacaembu para receber pacientes, que é administrado pelo hospital Albert Einstein, com 200 leitos.
Os dois hospitais funcionam no chamado regime de portas fechadas. Não é possível entrar no local alegando que está com sintomas de coronavírus. É preciso ir a uma outra unidade de saúde que, se for o caso, encaminha o paciente para lá.
No Anhembi, porém, os médicos relataram receber também pessoas com suspeita da contaminação mas cujo exame ainda não saiu. “Se a pessoa estava com falta de ar por qualquer outro motivo, com certeza ela é contaminada lá”, disse uma médica à reportagem.