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Um estudo divulgado no ano passado pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostrou que em 2017 a agricultura irrigada e o abastecimento animal representaram 60% do consumo dos recursos hídricos nacionais disponíveis. Isso significa que dos 2 milhões e 83 mil litros por segundo de água consumidos no Brasil naquele ano, só a agricultura irrigada utilizou 1 milhão de litros por segundo (52%), enquanto o abastecimento animal respondeu por 8%. Ou seja, o agronegócio gera um gasto consideravelmente superior ao da indústria (cerca de 20%) e do uso residencial (12%).
Tamanho consumo demanda a busca por alternativas que reduzam a necessidade de água, soluções essas que já estão disponíveis no mercado para melhorar o aproveitamento dos recursos hídricos. “É possível pensar em agronegócio e meio ambiente como áreas integradas, que colaboram juntas para o desenvolvimento sustentável. O importante é entender e analisar como o setor pode se valer de soluções que diminuam o impacto ambiental e ao mesmo tempo ajudem a movimentar a economia”, defende Leo Cesar Melo, CEO da Allonda Ambiental, empresa de engenharia com atuação em soluções ambientais sustentáveis.
Uma das opções, já bastante difundida em outros setores, é o reuso de água. Ou seja, a água utilizada em outros processos de produção no campo pode ser reaproveitada após passar por estações de tratamento, para que esteja nas condições adequadas para irrigação da lavoura. “A partir de um estudo técnico, a instalação dessas estações de tratamento pode ser feita de acordo com o tamanho ou a necessidade de diferentes culturas. Com um projeto específico, adequado, certamente trará redução de custos e otimização de recursos naturais”, afirma o CEO da Allonda Ambiental.
Outra opção sustentável para o agronegócio é a recuperação de efluentes, também por meio de estações de tratamento, para reduzir ou até mesmo eliminar o volume, concentração e toxidade de cargas poluentes. De acordo com Melo, até mesmo o lodo gerado por esse tratamento pode ser reaproveitado. “Após estudo e análise do material, é possível utilizá-lo para produção de fertilizantes ou até mesmo energia elétrica, a partir da queima”, garante. Ele diz que a água resultante do processo também pode ser reutilizada, tornando o método ainda mais vantajoso.