São Paulo de Fato

Guardiões da cidade: a corrente do bem durante a pandemia.

a corrente do bem durante a pandemia.

Foto: Ato Verde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o corona vírus (Covid-19) uma pandemia. A doença, que teve seu primeiro caso na província de Wuhan, na China, se disseminou pelo mundo. Eventos e atividades esportivas foram cancelados, cidades vazias e medo mostram o tamanho da doença que veio para mudar o comportamento mundial.

pandemia no Brasil teve início em fevereiro, após a confirmação de um homem de 61 anos que havia retornado da Itália. Desde então, o vírus vem se espalhando por todo o país, causando milhares de mortes.

A economia brasileira que já não estava em boa situação vem apresentando números cada vez mais preocupantes.

Segundo David Beasley, diretor executivo da agência de assistência alimentar da Organização das Nações Unidas (ONU), o Programa Mundial de Alimentação, afirma que a pandemia do novo corona vírus está causando fome generalizada “de proporções bíblicas” por todo mundo.

As medidas de isolamento são a única forma de conter a disseminação do vírus, mas geraram grande impacto nas regiões periféricas da cidade de São Paulo. Com a paralisação de vários setores, houve um aumento significativo das famílias em situação de vulnerabilidade, a fome se espalhou pela periferia muito mais rápido do que o corona vírus e as medidas do Estado não estão suprindo as demandas da população.

Em uma situação adversa que vem mudando a rotina do mundo, a pandemia causada pelo novo corona vírus provocou o surgimento de uma grande corrente de solidariedade na capital paulista.

As iniciativas de apoio vêm se multiplicando na cidade, o objetivo desses grupos que realizam ações sociais é arrecadar doações de alimentos, roupas e produtos de higiene para distribuição em locais de vulnerabilidade. O São Paulo de Fato conversou com três lideranças comunitárias da cidade de São Paulo, a fim de entendermos um pouco mais sobre os problemas enfrentados em tempos de pandemia.

 

Marcelo Rodrigues (Fofão) - (foto - 2)

Marcelo da Silva Rodrigues, mais conhecido como Fofão, promove eventos culturais e sociais desde a juventude. Após o início da pandemia, acelerou as ações e tem contado com o apoio dos grupos Quilombaque, Salve Kebrada, Casa da Árvore, Atitude Punk, Ocupa Pinheirinho, Sótão Studio & Pub, Casarão Arte Livre, C.R.I.S.T.O., Espaço Comun, Sarau da Brasa, Teatro na Laje, Banda Indaìz, além de Jefferson Gonçalves, a artesã Andrea G. Bello e a artista plástica Nany Dias.

Uma especial atenção tem sido dada aos indígenas Guarani, no Pico do Jaraguá. Mais de 400 das 600 famílias da aldeia já foram beneficiadas com as doações. “Neste momento, a solidariedade é o que todos deveriam fazer, independentemente de sua classe social ou  movimento. É preciso estender a mão ao próximo e ajudar de verdade, em vez de ficar acomodado”, afirmou. “Quem faz o bem só tem a ganhar; perder, não perde nada”, assegurou.

Interessados em colaborar devem entrar em contato pelo telefone (11) 99752-6132. Doações podem ser entregues no Espaço Cultural Libertário – E.C.L. Fofão Rockbar (Estrada das Taipas, 3.827, Jardim Alvina) ou na Rua Petia, 06, no Jardim Donária.

 Fernando Rodrigo de Carvalho (Negotinho Rima) - (foto - 3)

Nascido e criado na Vila Flavia (zona leste da capital paulista), Negotinho iniciou seus trabalhos sócio-culturais em 1998. É MC, articulador cultural e professor de capoeira, formado pelo mestre lampião.

Em 2007, junto ao Grupo OPNI, fundou o Espaço São Mateus em Movimento, que atualmente é um ponto de cultura, uma rede de coletivos e agentes culturais.

Com o início da pandemia, as demandas do Movimento multiplicaram e foi iniciado um grande trabalho de distribuição de cestas básicas, produtos de higiene e outros serviços para a comunidade.

“Está difícil para muita gente, quem está nessa missão não pode deixar a distância falar mais que a necessidade. Esse é o nosso trabalho e tenho certeza que dias melhores estão por vir”.

Interessados em colaborar devem entrar em contato pelo telefone (11) 95875-4922. Doações podem ser entregues no Espaço São Mateus (R. Cônego José Maria Fernandes, 127c - Cidade São Mateus)

 Beto Corunha (Ato Verde) - Foto 4

Morador da Vila Gustavo (zona norte da capital paulista) há alguns anos, Beto desenvolve intervenções ambientais, artísticas e culturais pela cidade, criou a ONG Ato Verde que tem como objetivo promover projetos socioambientais nas regiões periféricas e atualmente faz mestrado na PUC-SP onde estuda Ciências Sociais e Urbanismo.

Com o início da pandemia, aumentou os esforços e vem identificando regiões de alta vulnerabilidade, buscando doações e parceiros com o objetivo de apoio a pessoas carentes, “se soubermos de alguém ou comunidade que precisa de alimentos seja cesta básica ou marmitas, vamos lá e levamos”.

“O problema da sociedade moderna é o individualismo e precisamos remar contra essa grande onda que tenta nos distanciar. Como já dizia Chico Science, o medo da origem ao mal, o homem coletivo sente a necessidade de lutar e estou vendo esses homens surgirem na cidade”.

 

Fonte

Beto Corunha
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Guardiões da cidade: a corrente do bem durante a pandemia.

Beto Corunha

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o corona vírus (Covid-19) uma pandemia. A doença, que teve seu primeiro caso na província de Wuhan, na China, se disseminou pelo mundo. Eventos e atividades esportivas foram cancelados, cidades vazias e medo mostram o tamanho da doença que veio para mudar o comportamento mundial.

pandemia no Brasil teve início em fevereiro, após a confirmação de um homem de 61 anos que havia retornado da Itália. Desde então, o vírus vem se espalhando por todo o país, causando milhares de mortes.

A economia brasileira que já não estava em boa situação vem apresentando números cada vez mais preocupantes.

Segundo David Beasley, diretor executivo da agência de assistência alimentar da Organização das Nações Unidas (ONU), o Programa Mundial de Alimentação, afirma que a pandemia do novo corona vírus está causando fome generalizada “de proporções bíblicas” por todo mundo.

As medidas de isolamento são a única forma de conter a disseminação do vírus, mas geraram grande impacto nas regiões periféricas da cidade de São Paulo. Com a paralisação de vários setores, houve um aumento significativo das famílias em situação de vulnerabilidade, a fome se espalhou pela periferia muito mais rápido do que o corona vírus e as medidas do Estado não estão suprindo as demandas da população.

Em uma situação adversa que vem mudando a rotina do mundo, a pandemia causada pelo novo corona vírus provocou o surgimento de uma grande corrente de solidariedade na capital paulista.

As iniciativas de apoio vêm se multiplicando na cidade, o objetivo desses grupos que realizam ações sociais é arrecadar doações de alimentos, roupas e produtos de higiene para distribuição em locais de vulnerabilidade. O São Paulo de Fato conversou com três lideranças comunitárias da cidade de São Paulo, a fim de entendermos um pouco mais sobre os problemas enfrentados em tempos de pandemia.

 

Marcelo Rodrigues (Fofão) - (foto - 2)

Marcelo da Silva Rodrigues, mais conhecido como Fofão, promove eventos culturais e sociais desde a juventude. Após o início da pandemia, acelerou as ações e tem contado com o apoio dos grupos Quilombaque, Salve Kebrada, Casa da Árvore, Atitude Punk, Ocupa Pinheirinho, Sótão Studio & Pub, Casarão Arte Livre, C.R.I.S.T.O., Espaço Comun, Sarau da Brasa, Teatro na Laje, Banda Indaìz, além de Jefferson Gonçalves, a artesã Andrea G. Bello e a artista plástica Nany Dias.

Uma especial atenção tem sido dada aos indígenas Guarani, no Pico do Jaraguá. Mais de 400 das 600 famílias da aldeia já foram beneficiadas com as doações. “Neste momento, a solidariedade é o que todos deveriam fazer, independentemente de sua classe social ou  movimento. É preciso estender a mão ao próximo e ajudar de verdade, em vez de ficar acomodado”, afirmou. “Quem faz o bem só tem a ganhar; perder, não perde nada”, assegurou.

Interessados em colaborar devem entrar em contato pelo telefone (11) 99752-6132. Doações podem ser entregues no Espaço Cultural Libertário – E.C.L. Fofão Rockbar (Estrada das Taipas, 3.827, Jardim Alvina) ou na Rua Petia, 06, no Jardim Donária.

 Fernando Rodrigo de Carvalho (Negotinho Rima) - (foto - 3)

Nascido e criado na Vila Flavia (zona leste da capital paulista), Negotinho iniciou seus trabalhos sócio-culturais em 1998. É MC, articulador cultural e professor de capoeira, formado pelo mestre lampião.

Em 2007, junto ao Grupo OPNI, fundou o Espaço São Mateus em Movimento, que atualmente é um ponto de cultura, uma rede de coletivos e agentes culturais.

Com o início da pandemia, as demandas do Movimento multiplicaram e foi iniciado um grande trabalho de distribuição de cestas básicas, produtos de higiene e outros serviços para a comunidade.

“Está difícil para muita gente, quem está nessa missão não pode deixar a distância falar mais que a necessidade. Esse é o nosso trabalho e tenho certeza que dias melhores estão por vir”.

Interessados em colaborar devem entrar em contato pelo telefone (11) 95875-4922. Doações podem ser entregues no Espaço São Mateus (R. Cônego José Maria Fernandes, 127c - Cidade São Mateus)

 Beto Corunha (Ato Verde) - Foto 4

Morador da Vila Gustavo (zona norte da capital paulista) há alguns anos, Beto desenvolve intervenções ambientais, artísticas e culturais pela cidade, criou a ONG Ato Verde que tem como objetivo promover projetos socioambientais nas regiões periféricas e atualmente faz mestrado na PUC-SP onde estuda Ciências Sociais e Urbanismo.

Com o início da pandemia, aumentou os esforços e vem identificando regiões de alta vulnerabilidade, buscando doações e parceiros com o objetivo de apoio a pessoas carentes, “se soubermos de alguém ou comunidade que precisa de alimentos seja cesta básica ou marmitas, vamos lá e levamos”.

“O problema da sociedade moderna é o individualismo e precisamos remar contra essa grande onda que tenta nos distanciar. Como já dizia Chico Science, o medo da origem ao mal, o homem coletivo sente a necessidade de lutar e estou vendo esses homens surgirem na cidade”.