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A apuração dos números da atual gestão do Crea-SP revela muito sobre como seus dirigentes tratam os recursos provenientes das anuidades e taxas obrigatórias pagas pelos profissionais registrados no Conselho.
Apenas a presidente em exercício recebeu, entre dezembro de 2019 e junho deste ano, R$ 134 mil em diárias e quilometragens. Vinicius Marchese Marinelli, presidente licenciado, em 4 meses recebeu R$ 59.2 mil e Luiz Augusto Moreti, diretor tesoureiro, em três meses, recebeu R$ 32,4 mil reais. Os dados foram obtidos pelo Portal da Transparência. E essa é uma parte da gastança escandalosa. No total, R$ 27 milhões foram simplesmente torrados em diárias pelo Crea-SP no ano passado.
Recursos astronômicos estão indo pelo ralo, inclusive com campanhas publicitárias milionárias que estampam outdoors em várias cidades do estado e estão presentes também nos canais de TV, às vésperas das eleições do Conselho.
O desperdício não para, observem os gastos com diárias e quilometragens, apurados entre os meses de dezembro de 2019 a junho de 2020, de alguns dos conselheiros do Crea-SP:
Mamede Abou Deln Junior, em 5 meses R$ 112.720,05
Claudia Ap. Ferreira S. Campos, em 4 meses R$ R$ 43.231,77
Claudia Cristina Pascoaleti, em 3 meses R$ 28.345,05
Antonio Carlos Catai, em 3 meses R$ 22.597,80
Marcelo Akira Suzuk, em 2 meses R$ 17.656,80
Ninguém, em sã consciência, pode achar razoável que, num momento de crise econômica e social, com um dos piores índices de desemprego no país, um Conselho profissional realize esse tipo de despesa.
Quando defendemos que a anuidade não deve ser obrigatória é porque acreditamos – e está comprovado pelos números dessa atual gestão – ser possível realizar muito mais com uma boa administração e alocação do dinheiro em projetos e iniciativas de real interesse dos profissionais.
O vírus da incompetência e da falta de transparência
Os desmandos na gestão do Crea-SP atingem todos os níveis. É ou não é estranho que o tal IPEEA - Instituto Paulista de Entidades de Engenharia e Agronomia, fundado há apenas dois anos para trazer benefícios aos profissionais (não seria essa missão do próprio CREA-SP?), tenha recebido diretamente do Conselho, de maio/2018 a maio/2020, mais de R$ 600 mil?
Não causa estranheza também que a Associação de Engenheiros de Adamantina, cidade com apenas 35 mil habitantes, receba do Crea-SP a considerável quantia de R$ 483 mil entre março/2019 a maio/2020?
Já em publicidade, para melhorar sua imagem, somente nos últimos cinco meses, às vésperas das eleições, a atual diretoria investiu mais de R$ 5,3 milhões, ou seja, mais de R$ 1 milhão por mês.
Mesmo se nossos representantes tivessem grandes feitos a ser divulgados, esse gasto seria discutível. Imaginem então quando o trabalho do Crea-SP é lamentável, digno de piada a olhos vistos, pois há outdoors do Conselho ao lado de construções irregulares.
Exemplos de negligência não faltam, são casas desabando no ABC e empresas funcionando clandestinamente, submetendo a vida da população a um perigo iminente. Há discrepâncias terríveis na fiscalização de obras, ao ponto de toda a zona leste de São Paulo ter apenas uma pessoa do Crea-SP para averiguar alvarás.
O que tem feito o Crea-SP? Apenas admite sua própria incompetência, ao vir a público confirmar que não consegue dar conta da fiscalização necessária.
A caixa d´água que rolou ladeira abaixo em Diadema, assustando moradores e destruindo patrimônios, é o triste retrato do Conselho: uma entidade tomada pelo vírus do CoronaCrea, corroída por dentro e se alimentando da incompetência de seus dirigentes.
Como se não bastasse, a diretoria do Crea-SP tenta fraudar licitação, realizando um chamamento público para suposta permuta de imóveis da entidade, avaliados em R$ 190 milhões, quando, na verdade, o objeto do edital é a construção da nova sede do Conselho.
No mínimo falta transparência na aplicação dos recursos financeiros do Crea-SP, provenientes das anuidades e ARTs (Anotação de Responsabilidade Técnica) pagas pelos profissionais.
Precisamos acabar com essa doença e tirar o Crea da situação terminal em que se encontra. Estão destruindo a reputação da engenharia com sua incompetência.