São Paulo de Fato

Doença que matou Jorge Fernando acomete de 1% a 3% da população

A maioria dos portadores não sabe que tem esse mal

Jorge Fernando morreu vítima de um aneurisma (Foto: Instagram/ @jorgefernandooficial)

 diretor de TV Jorge Fernando morreu vítima de um aneurisma, neste domingo, 27, por volta das 20h, no hospital Copa Star (RJ), quando teve uma parada cardiorrespiratória. A informação foi confirmada pelas organizações Globo, onde Fernando trabalhava desde 1978, inicialmente como ator e há quase 40 anos também como diretor; ele tinha 64 anos.

Em fevereiro de 2017, Jorge Fernando, quando estava com 61 anos, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e desde então enfrentava as sequelas no sistema motor e na fala. À época, concedeu entrevista, dizendo que “teve medo de morrer”.

De acordo com o neurocirurgião que atua no Hospital Israelita Albert Einstein, Wanderley Cerqueira de Lima, dados de necropsias mostram que de 1% a 3% da população brasileira têm aneurisma intracraniano e não sabem.

“O aneurisma é uma dilatação em um vaso sanguíneo no cérebro que pode dar origem a uma fraqueza na parede de uma artéria cerebral. Ele surge na bifurcação de artérias, porque nesta região a parede do vaso arterial é um pouco mais fina”, explica o especialista que tem mais de 35 anos de experiência na área.

Quando Jorge Fernando teve o AVC, em 2017, precisou ficar 20 dias internado. Uma das sequelas que sofreu foi a paralisação do lado esquerdo do corpo. Sua recuperação foi lenta. Após fisioterapia e fonoaudiologia, retornou ao trabalho com a direção geral da novela “Verão 90”, que estreou em julho passado.

Doutor Wanderley esclarece que aproximadamente 80% dos casos de AVC são isquêmicos, quando o fluxo de sangue de uma região específica do cérebro é interrompido, interferindo, assim, nas funções neurológicas dependentes daquela região afetada. 

“No acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), o cérebro perde a circulação e a oxigenação, originando diversos problemas, entre eles, o sumiço da fala, o peso elevado de um dos braços ou pernas ou o desvio da boca”, diz o especialista.

 

Diagnóstico

 

De acordo com o neurocirurgião Wanderley Cerqueira de Lima, o diagnóstico para determinar a causa do aneurisma com sangramento súbito, ou mesmo sem, pode ser dado por diversos meios.

“Podemos usar a tomografia computadorizada e a angiotomografia cerebral - a punção lombar para o exame de liquor da espinha. Podemos também fazer ressonância magnética e a angiorresonância magnética cerebral. Temos ainda o recurso da arteriografia cerebral, que é o cateterismo cerebral, que deve ser realizado por um neurotadiologista”, diz doutor Wanderley.

Tratamentos

Dentre os tratamentos disponíveis atualmente para o aneurisma cerebral, a clipagem cirúrgica consiste na colocação de um clip de titânio, no colo do aneurisma, para isolá-lo da artéria e evitar ressangramento.

Há também, dependendo do caso, a possibilidade de se adotar o tratamento endovascular por cateterismo, que é a colocação de fios de platina dentro do aneurisma, interrompendo o fluxo do sangue para o seu interior.

Há casos que necessitam de drenagem ventricular, realizada para diminuir a pressão dentro do crânio e tratar a hidrocefalia aguda: procedimento realizado para inserir um cateter dentro dos ventrículos do cérebro.

A reabilitação é feita com fisioterapia motora, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

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Doença que matou Jorge Fernando acomete de 1% a 3% da população

 diretor de TV Jorge Fernando morreu vítima de um aneurisma, neste domingo, 27, por volta das 20h, no hospital Copa Star (RJ), quando teve uma parada cardiorrespiratória. A informação foi confirmada pelas organizações Globo, onde Fernando trabalhava desde 1978, inicialmente como ator e há quase 40 anos também como diretor; ele tinha 64 anos.

Em fevereiro de 2017, Jorge Fernando, quando estava com 61 anos, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e desde então enfrentava as sequelas no sistema motor e na fala. À época, concedeu entrevista, dizendo que “teve medo de morrer”.

De acordo com o neurocirurgião que atua no Hospital Israelita Albert Einstein, Wanderley Cerqueira de Lima, dados de necropsias mostram que de 1% a 3% da população brasileira têm aneurisma intracraniano e não sabem.

“O aneurisma é uma dilatação em um vaso sanguíneo no cérebro que pode dar origem a uma fraqueza na parede de uma artéria cerebral. Ele surge na bifurcação de artérias, porque nesta região a parede do vaso arterial é um pouco mais fina”, explica o especialista que tem mais de 35 anos de experiência na área.

Quando Jorge Fernando teve o AVC, em 2017, precisou ficar 20 dias internado. Uma das sequelas que sofreu foi a paralisação do lado esquerdo do corpo. Sua recuperação foi lenta. Após fisioterapia e fonoaudiologia, retornou ao trabalho com a direção geral da novela “Verão 90”, que estreou em julho passado.

Doutor Wanderley esclarece que aproximadamente 80% dos casos de AVC são isquêmicos, quando o fluxo de sangue de uma região específica do cérebro é interrompido, interferindo, assim, nas funções neurológicas dependentes daquela região afetada. 

“No acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), o cérebro perde a circulação e a oxigenação, originando diversos problemas, entre eles, o sumiço da fala, o peso elevado de um dos braços ou pernas ou o desvio da boca”, diz o especialista.

 

Diagnóstico

 

De acordo com o neurocirurgião Wanderley Cerqueira de Lima, o diagnóstico para determinar a causa do aneurisma com sangramento súbito, ou mesmo sem, pode ser dado por diversos meios.

“Podemos usar a tomografia computadorizada e a angiotomografia cerebral - a punção lombar para o exame de liquor da espinha. Podemos também fazer ressonância magnética e a angiorresonância magnética cerebral. Temos ainda o recurso da arteriografia cerebral, que é o cateterismo cerebral, que deve ser realizado por um neurotadiologista”, diz doutor Wanderley.

Tratamentos

Dentre os tratamentos disponíveis atualmente para o aneurisma cerebral, a clipagem cirúrgica consiste na colocação de um clip de titânio, no colo do aneurisma, para isolá-lo da artéria e evitar ressangramento.

Há também, dependendo do caso, a possibilidade de se adotar o tratamento endovascular por cateterismo, que é a colocação de fios de platina dentro do aneurisma, interrompendo o fluxo do sangue para o seu interior.

Há casos que necessitam de drenagem ventricular, realizada para diminuir a pressão dentro do crânio e tratar a hidrocefalia aguda: procedimento realizado para inserir um cateter dentro dos ventrículos do cérebro.

A reabilitação é feita com fisioterapia motora, fonoaudiologia e terapia ocupacional.