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“Minha liberdade termina aonde começa a do próximo”. Essa máxima rege as relações entre pessoas civilizadas. Os ignorantes desconhecem essa regra de bom senso. É o que acontece com os produtores do Porta dos Fundos. Famoso há pouco tempo por fazer uma peça em que Jesus Cristo era homossexual, numa suruba com os seus discípulos.
Receberam inúmeras críticas e adotaram a tática da liberdade de expressão. Parte da sociedade estava censurando o que eles chamam de trabalho. No jornalismo, aonde exerço a profissão há 34 anos, sou livre para escrever sobre qualquer assunto, porém se avançar o sinal vermelho vou me acertar com a Justiça. Não posso usar a facilidade de escrever e usar vários espaços na internet para ofender ou semear mentiras contra qualquer pessoa ou instituições políticas e empresariais.
ABI
Desta vez, o Porta dos Fundos apresentou um quadro em que uma mulher de 57 anos é ridicularizada perante sua família por não denominar a tecnologia de vários equipamentos existentes no dia a dia atual. No jargão popular, o Porta dos Fundos chama de “burro” pessoas acima de 50 anos. Escolhe um caso específico e tenta passar a imagem que alguém com mais de meio século de vida é ignorante.
O pseudo-humorista Fabio Porchat pisou fundo, na carona de que se trata de paródia e na liberdade de expressão. Na opinião de um profissional de imprensa, que na década de 1990 ocupou a cadeira de diretor da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), entidade com mais de século de existência, Porchat desconhece o significado da palavra liberdade.
Casseta
Ele é o retrato da atual geração, que muitos chamam de Z outros de millennials, nascida de 1997 em diante, conhecida pelo individualismo e desprezo pelas boas regras existentes numa sociedade. Por viverem grudados nos celulares e plugados nas redes sociais dia e noite, acreditam que são os detentores da sabedoria. Quem nasceu da década de 90 para trás são idiotas, analfabetos ou burros, como gostam de insinuar. Desconhecem a fina linha entre liberdade e libertinagem.
É para este público que o Porta dos Fundos produz suas pérolas. Para tanto, atiram para qualquer lado, sem poupar ninguém. Lembro-me de uma entrevista com Bussunda, o cabeça do programa humorístico Casseta e Planeta quando respondeu por que não fazia nenhum quadro ironizando o dono da Globo, o empresário e jornalista Roberto Marinho: “Somos loucos, mas não bobos”! Ele sabia até aonde poderia passar.
Stones
Pelo visto o Porchat jamais vai poder assistir a shows dos Rolling Stones, pois os seus integrantes já passaram dos 70 anos, inclusive o vocalista Mick Jagger! Também não poderá entrevistar o crítico musical e jornalista Nelson Motta, também com mais de 60 anos. Caso goste de Jazz/Pop nem pense em ver e ouvir os solos de George Benson, perto dos 80 anos.
Se gostar dos Beatles, deve fugir de qualquer apresentação de Paul McCartney, a caminho dos 78 anos. Muito menos assistir ao Jornal Nacional ou entrevista da Glória Maria, repórter com quase 50 anos de Globo. O mesmo se aplica a Chico Buarque, também setentão. Porchat deve passar longe da cantora Paula Toller, durante anos líder da banda de rock Kid Abelha. Ela tem mais de 55 anos. Se Porchat chegar aos 60 anos e tiver deixado boas obras, como os citados acima, poderá levantar as mãos para o céu....