Ano 1979.
Trem de passageiros da Fepasa:
Embarque: Estação da Luz
Destino: São José do Rio Preto.
O serviço de alto falante da Estação da Luz informava aos passageiros o embarque pela plataforma B às 21:00 e aqui tem início minhas incríveis incursões com amigos por uma cidadezinha chamada Palestina com 6.000 habitantes, localizada próxima ao município de Rio Preto, por indicação de um deles que tinha parentes por lá.
Estávamos em 10 amigos e passamos a noite entorpecidos por garrafas de batidas caseiras adquiridas no Bar do Luiz, para esta viagem de trem que tinha duração de 12hs até o nosso destino e assim perambulamos noite adentro entre vagões.
Uma parada para baldeação na cidade de Matão/SP. quase me deixou preso no banheiro de um vagão que foi descarrilhado, onde eu conduzira uma garota entre beijos e amassos, e que conhecera ali na parte vip da embarcação, sendo salvo pelo segurança que me descobriu na checagem do compartimento.
Seguindo a viagem, encerramos os trilhos finais no vagão-restaurante num café da manhã para despertar a noite etílica, claro que com a responsabilidade necessária.🤪
Descemos na Estação Rio Preto e seguimos ao nosso destino distante +50km até chegar no trevo de boas vindas na entrada da cidade de Palestina.
Com a peculiar alegria juvenil, abrimos as janelas do Busão e entonamos o hino de saudação dos bebuns da cidade, ensinado pelo amigo que tinha laços por lá.
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Nós somos da Poléia amada,
Fiéis Pau d'água por ela amada...
Das cores do garrafão, que brilha o copo lá no balcão...!!
Arroz...queremos com feijão...
A pinga queremos com limão...
Por fim, se a Poléia amada precisar da macacada...puta merda que cagada...🤦🏻♂️🤦🏻♂️🤦🏻♂️🤦🏻♂️
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Já acomodados numa única pensão de aspecto de vilarejo, logo se espalhou a notícia da chegada de 10 jovens rapazes vindos da capital e não demorou a alertar as menininhas da cidade, que começaram a desfilar de braços dados pela calçada da rua da pensão, próxima a rodoviária.
A tarde, uma soneca rápida para recuperar a ressaca e preparar-se para a noite de sábado de Carnaval no principal clube da cidade.
Antes, uma parada obrigatória de reconhecimento da praça da matriz principal da cidade, de aspecto bucólico interiorano, com banquinhos patrocinados pelo comércio local, entre flores, arbustos e jardinagens. No alto da torre da igreja, o sino tocando a cada hora, uma musiquinha de fundo...um pipoqueiro gago vendendo...pipipipipopoca e mamaçã do amor, não a toa o apelido alcunhado de Seu Pipi.😅
A noite foi chegando e a praça ficando tomada de garotas fantasiadas para o baile...e a inevitável troca de olhares conosco, para desespero dos rapazes ruralistas, figuras carimbadas do álbum da cidade. Nós, neste caso tornamos o alvo das paqueras...e presença no imaginário e secretos desejos e intenções das jovens em busca de caras e idéias novas.
Antes de entrar no salão, uma rápida passagem na sorveteira Marabá para recuperar a glicose em forma de bolas de sorvete.
Entramos no baile e de cara chamamos a atenção dos foliões mais do que a banda que cantava as marchinhas de Carnaval no palco.
Aí não deu outra pros 10 amigos...e cada um para si...e "todos pelas colombinas" ali circulando entre confetes e serpentinas.
Um gracejo daqui e outro dali... em pouco tempo já tinhamos se arrumado pelo salão, para desespero de alguns marmanjos que tentaram arranjar encrenca conosco lá no banheiro, onde um de nossos soldados estava etilicamente combalido ao chão, sendo retirado de lá por nós e colocado sentado sob um coqueiro do jardim do clube.
Ao final de uma incrivel noite de carnaval, no melhor estilo..."não me leve a mal...hoje é carnaval". voltamos a praça e já clareando o dia, retornamos para a pensão...não sem antes pular os muros do clube municipal e invadir pelado as piscinas, se refrescando de um calor de pierrot apaixonado pelo fulgor das moças interioranas.
Após 2 noites de carnaval, marcamos na segunda feira um jogo de futebol contra a rapaziada moradora da cidade, sedenta pela vingança por conta das nossas conquistas na seara feminina.
Ganhamos o jogo num desempate de 3 X 2 em meio a pontapés desferidos pelo time adversário e sem intervenção do juiz que era da casa...e vencemos com a bola nos pés⚽️⚽️...e também com a bola que as garotas nos deram.🥰🥰
Na terça-feira de carnaval, entre lágrimas e paixões...encontros e despedidas...a promessa de voltar em outro feriado.
De fato até voltei em outros momentos e pude sentir e entender melhor o cotidiano da cidade entre festas de reizado(folia de reis) como "bumba meu boi" desfilando a cantoria pelas ruas e por tradição servido pelos moradores uma saborosa galinhada distribuída aos participantes, e também compareci numa festa do Peão de boiadeiro.
Nunca mais voltei a esta cidade por conta de um BO que por lá fui obrigado a assinar sem ser o culpado e para nunca mais retornar.
E assim, vamos rascunhando nossas histórias na certeza das boas experiências adquiridas pelo tempo e neste causo aqui escrito...já se passaram 40 anos.
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