Maurício era o exemplo do típico filho rebelde. Detestava conselho de pais. Por causa da formação universitária, pós-graduação em Harvard e domínio de vários idiomas, inclusive do difícil mandarim, nunca deu importância a qualquer alerta dado pelos seus velhos. Procurava fazer o contrário do ouvido em casa.
Grande economista, seu trabalho gozava de grande reputação entre grandes empresários. Cobrava alto para elaborar trabalho de assessoria econômica. Navegava bem nos mares da tributação. Sabia exatamente como agir em questões de exportações, o quanto deveria pagar de tributo. Tudo corretamente.
O resultado deste profissionalismo era a conta corrente abarrotada de dinheiro. Em 20 anos de mercado, nunca teve saldo negativo. Os gerentes o atormentavam oferecendo vários produtos. Cartões de crédito, de limite elevado, tinha por volta de cinco. Enfim dava-se ao luxo de escolher cliente e fazer o preço. Expert no assunto, sempre saia vitorioso.
Conservadora
Porém, todo ser humano é fraco em alguma área. O calcanhar de Aquiles de Maurício era as mulheres. Principalmente ninfetas. Mesmo perto dos 50 anos, adorava meninas de 18 a 21 anos, principalmente as morenas de cabelos encaracolados e corpo violão. Não sentia remorso de gastar rios de dinheiro com elas nos finais de semana. Para algumas oferecia um cartão de crédito, limitado a R$ 5 mil. Bancava os mimos em troca de sexo fácil.
A mãe Juliana, bancária aposentada da época áurea de que trabalhar no Banco do Brasil significava independência financeira, o alertava sempre. Dizia que ele deveria pensar no futuro. Deixar de lado a vida mundana, repleta de bebidas e sexo. Mas, ele ignorava. Criticava a mãe. A chamava de quadrada e conservadora.
Maurício tinha o bom problema de o emprego persegui-lo. A caixa postal do celular vivia entupida de recados de clientes ávidos por sua assessoria, mesmo com preços salgados. O reflexo disto era bons carros na garagem, dois deles importados, um apartamento de cobertura na Vila Nova Conceição, Zona Sul de SP, onde alguns endinheirados residem.
Collor
Como diz o ditado: “não há bem que sempre dure, nem maldade que perdure para sempre”. Na mente de Maurício nunca passaria por dificuldade financeira. Isto jamais iria acontecer. Confiava na sua competência profissional. Nenhuma mulher lhe passaria a perna. Para ele, essas ninfetas tinham vento na cabeça. Ficavam inebriadas quando ganhava um cartão de crédito para gastar nos shoppings.
Tudo começou a mudar em 1992. Numa tacada perdeu os pais. Na semana seguinte ficou sem os dois irmãos. A renúncia do presidente Fernando Collor deixou o mercado financeiro em polvorosa. Os contratos de trabalho de assessoria começaram a ficar raros. As ninfetas passaram a desprezá-los. Algumas até o chamavam de chato de galocha.
Numa noite ao chegar diante do prédio, dois carros cercaram sua BMW blindada. Um deles dispara vários tiros de metralhadora. 50, de capacidade para derrubar aviões e furar fuselagem de tanques de guerra. A coluna cervical é atingida. É internado e fica tetraplégico. Logo o dinheiro acaba. As mulheres também. Deitado na cama, com as fraldas sujas de xixi e fezes, começou a sentir saudade dos conselhos de sua mãe...
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