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A região central de São Paulo está abandonada. As placas de aluga-se e vende-se aparecem na fachada de várias lojas, inclusive de bares e restaurantes. Prédios pichados já fazem parte da triste paisagem do Centro, que até metade da década de 1990 ainda atraia consumidores para as compras. Hoje, a maioria prefere os shoppings.
Os sucessivos prefeitos só esquentaram a cadeira de chefes do Executivo municipal. Não investiram em políticas públicas, principalmente na área habitacional. O negócio deles, principalmente Maluf, Celso Pita, José Serra entre outros, foi despejar dinheiro nas famosas “obras visíveis”, como pontes e viadutos.
Igual doente no leito de hospital, as chamadas lojas de rua começaram a agonizar do final da década de 1990 em diante. A pá de cal ocorreu com a falência do Mappin/Mesbla, em 1999, a primeira na Praça Ramos de Azevedo e a segunda na Rua 24 de Maio, onde hoje funciona o Sesc.
Calçados
Na Rua Boa Vista, vários bancos resolveram migrar para outros endereços. O Itaú, por exemplo, transferiu a sua matriz para o Jabaquara, Zona Sul, próximo à Estação Conceição do Metrô. O Real (atual Santander) concentrou-se na Avenida Paulista, quase diante do QG da Fiesp, no quarteirão perto do Masp.
Diversas lojas de grife, seja de roupas, calçados, produtos eletrônicos e restaurantes, optaram pelos shoppings. As então sossegadas ruas do Centro Velho, logo acabaram tomadas por desocupados atentos ao deslize de qualquer vítima para ser assaltada. Dificuldade para estacionar espantou diversos consumidores. Quem insistia, caia nas mãos dos terríveis “flanelinhas”.
As fachadas de prédios deterioradas, outros abandonados ou invadidos por Sem-Tetos, tanto na Avenida São João, Prestes Maia, Ipiranga, Conselheiro Crispiniano, funcionaram como tiro de misericórdia num trecho de São Paulo, que antes da década de 1990 era o cartão postal da cidade.
Santo Amaro
Quem não se lembra dos famosos salões de cabeleireiros, especializados em moda Black Power nas Grandes Galerias da 24 de Maio, dos sapatos sob medida das lojas do Isaac na Rua Maria Antônia, da lanchonete Pelicano na Conselheiro Crispiniano, da 77 no Largo do Arouche, do restaurante Tabu, na Rua Vitória e até da concessionária Ford Santo Amaro, na esquina da Rua dos Gusmões com Rio Branco?
Hoje nada disto existe mais. Apenas lixo espalhados pelas calçadas, imóveis depredados, risco de ser assaltado enquanto aguarda o semáforo abrir, principalmente nas esquinas da Ipiranga com Rio Branco, Duque de Caxias, próximo à Praça Princesa Isabel ou perto da Sala São Paulo, ao lado da Estação de Trem Júlio Prestes.
Até quando vai durar essa agonia não é possível prever. A nova geração de consumidores, jovens nascidos da década de 1990 em diante, hoje com 21 anos, já tem o costume de passear e comprar nos shoppings. Eles desconhecem a rica história do Centro. Poucos sabem que a inesquecível “Sampa”, de Caetano Veloso, teve como inspiração as esquinas das Avenidas São João com Ipiranga. Mas isto assunto para outro artigo.