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Faixa etária mais atingida é entre 15 e 29 anos; violência doméstica é a principal causa (Foto: Reprodução)
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo divulgou mais um dado alarmante. O número de mulheres assassinadas em todo o território paulista aumentou em 12%, já que dados de 2017 registraram um total de 529 vítimas contra 474 no ano de 2016. De acordo também com o levantamento, 35% das mulheres que sofreram homicídio eram jovens de até 30 anos.
Dentre as demais faixa etárias, adolescentes de até 14 anos somam 24 vítimas, de 15 a 29 anos 161 mortes, 30 a 39 anos somaram 128 homicídios, 40 a 49 anos foram 68 assassinatos e 50 anos ou mais 82 mulheres que perderam a vida. Além disso, outras 66 mulheres mortas não tiveram sua idade revelada, podendo ser mais vítimas jovens.
Os dados da Secretaria tabulados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) também mostram que 322 vítimas do sexo feminino eram brancas, 162 eram da cor parda, 31 da cor preta e amarelas eram 3.
Em 2018, a violência contra a mulher continua acontecendo na cidade de São Paulo. Na última quarta-feira (13) uma jovem de 26 anos, Taila Pimentel de Lima, foi assassinada por esfaqueamento pelo marido, na Zona Oeste da capital, em lugar próximo ao Hospital das Clínicas, local onde a mulher trabalhava no setor de limpeza do centro médico para sustentar os dois filhos.
Também neste mês de junho, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) juntamente com a FBSP, lançaram o Atlas da Violência – 2018, que revela números assustadores do abuso contra mulheres e feminicídio em escala nacional. Em 2016, em todo o Brasil foram assassinadas 4.645 mulheres, o que significa uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil habitantes, no qual o Estado de Roraima foi o que mais matou. No entanto, na publicação, o Estado de São Paulo é aquele com menor taxa, 2,2 casos se comparado aos demais estados da União.
De acordo com o mesmo levantamento a taxa de mortes de mulheres negras em todo o país é de 5,3 contra 3,1 entre as mulheres não negras, representando uma diferença de 71% entre os homicídios, com Goiás e Pará lamentavelmente sendo os grandes campeões. Outro dado afirma que em dez anos, essa taxa de mulheres negras assassinadas apenas aumentou, em 15,4%, enquanto que diminuiu em 8% as mortes de mulheres não negras revelando que o racismo ainda está presente na sociedade brasileira, e sobretudo nas mulheres.
Há também a evidência de que violência armada contribui e muito para o número de mulheres mortas. Desde 1980 até 2016, cerca de 910 mil assassinatos registrados foram com uso de armas de fogo, no qual o Estado do Sergipe lidera com 85,9% do total de mortes. A partir de 2003, com o Estatuto do Desarmamento, este número caiu consideravelmente, no entanto, ainda é bastante grande o número de mulheres que perdem a vida dessa maneira.
Outra causa de violência contra as mulheres brasileiras é o abuso sexual. Dados também de 2016 aponta que naquele ano, foram registrados 49.497 casos de estupros pelas polícias de todo o país, de acordo com o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Além disso, no Sistema Único de Saúde (SUS), 22.918 casos se referenciavam à estupro e abuso sexual.
Para o relatório do Atlas da Violência – 2018, informado pelo Fórum e pelo IPEA, existem medidas que tentam combater a violência física e sexual contra a mulher, porém ainda são ineficazes. “Vale destacar medidas implementadas como o Protocolo Único de Atendimento. Essa determinação estabelece um padrão de atendimento nos casos de violência contra a mulher, seja física ou sexual, para melhor acolher as vítimas”, diz a nota.
“Outra ação importante é o projeto ‘Homem sim, Consciente Também’, que visa formar grupos de homens com traços de agressividade e vícios para conversar sobre problemas e, assim, auxiliar na reconstrução familiar e diminuição de ocorrências de violência doméstica. O programa já foi implantado em Diadema, Santo André, Guarulhos, Taboão da Serra, Barueri e em Cubatão”, informa o documento.