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Francisco era extramamente ateu. Nunca dizia o nome de Deus. E ficava bravo quando alguém confessava sua fé em Jesus Cristo. “Detesto pastores, bando de ladrões. Odeio católicos e seus padres pedófilos. Tenho ojeriza a judeus, povo mão de vaca. Sinto nojo de muçulmanos, gentalha de homens bombas”, esbravejava.
Nada escapava de sua língua. Qualquer tipo de religião, na avaliação de Francisco, não merecia qualquer crédito. “Eu confio é em minhas mãos e na minha mente. Assim consigo ganhar muito dinheiro. Jamais perderei tempo com lavagem cerebral”, justificava.
Restaurantes
Engenheiro especialista em plataforma de petróleo, ganhava bem. Sua conta corrente estava sempre na mira dos gerentes, por causa das grandes quantias de dinheiro ali depositadas. Quando de folga (ficava 15 dias em casa e outros 15 em alto mar), almoçava e jantava em excelentes restaurantes.
Por causa do ateísmo, nunca conseguiu casar com nenhuma mulher. “Nunca iria me submeter à babaquice de entrar numa igreja diante de um maluco vomitando regras de como deveria viver o matrimônio. Prefiro as garotas de programa. Dou o que elas gostam: dinheiro”!
Quadrilha
Após uma quinzena no mar, estava de volta para casa, quando acabou rendido por ladrões próximo ao aeroporto de Macaé, Rio de Janeiro. Rapidamente acabou trancado no porta-malas e levado ao cativeiro. A quadrilha de jovens passou a torturá-lo para obter as senhas dos cartões de crédito e também para efetuar transferência de dinheiro.
“Ai Mauricinho vai passando a senha logo! Nada de conversa fiada. Do contrário te envio ao inferno rapidinho”, ameaçava um dos ladrões, enrolando fios elétricos desencapados nas mãos, pés, pescoço e nos órgãos genitais de Francisco. Logo começaram os choques elétricos. Várias vezes!
Amor
A sensação era terrível. Passou a vomitar, urinar e defecar, além de soltar espuma branca que saia da boca, a cada sessão de tortura. “Como é que é vacilão? As senhas! Ou vamos te fritar no micro-ondas!”, gritava um adolescente baixinho, que trazia no braço a tatuagem de um crucifixo e o nome Cristo é amor!
Comunista ferrenho. Lembrava-se de Karl Marx, Engels, Lênin, Bakunin, Stálin, Fidel Castro, Rosa de Luxemburgo, Che Guevara, Trotsky. Enfim de todos os ícones do socialismo. Lembrava-se das canções de protesto de Geraldo Vandré, Taiguara, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Joan Baez, Bob Dylan...
Neon
Após algumas horas de sofrimento desmaiou. De repente viu um homem forte, cujas roupas pareciam costuradas de luz neon. Fala mansa, de costa para Francisco lhe disse algumas palavras. “Até quando vai me negar? Olhe ali adiante aonde será tua futura morada, com o teu espírito sendo torturado eternamente”, advertiu.
Voltou a si, olhou para o bandido e disse. “Se Cristo é amor, porque você me dá tanto choque”? “Fica quieto e passa a senha, otário”, ameaçou o criminoso. “Deus te sirvo, se você me salvar”, prometeu Francisco. De repente, homens do Bope invadiram o cativeiro e prenderam os bandidos. Francisco largou a profissão e se tornou evangelista nas favelas mais perigosas do Rio de Janeiro....