Juliano não gostava de transportar idosos em seu ônibus. “Não sei o motivo desta “velharada” sair de casa. Deveria colocar num saco e jogar no mar”, dizia. Homem ou mulher se fosse acima dos 60 anos, não merecia respeito por parte dele.
Adorava frear brusco, quando algum passageiro desta idade se levantava para descer. “Piso fundo mesmo, para cair e sair daqui para o cemitério”, ironizava. Não aceitava ouvir conselhos de nenhum colega de linha.
Numa madrugada levantou-se às 2h da manhã e percebeu que chovia e ventava muito. Precisava chegar à garagem às 3h30 para dirigir o primeiro ônibus, que sairia às 4h.
Flávio, desembargador aposentado, não pode pegar o seu carro naquela manhã véspera de feriado de 7 de setembro. Resolveu ir de ônibus até a Avenida Paulista. Com 70 anos, tinha porte atlético e não havia se esquecido dos golpes de caratê.
Entrou no ônibus que Juliano conduzia. Ao descer perto da Rua Augusta, percebeu que uma freada brusca iria jogá-lo no capô do motor. Segurou firme num dos bancos.
Em silêncio, com golpe certeiro imobilizou Juliano. Acenou para um policial que estava parado no ponto, mostrou a carteira de desembargador e logo se acabou o nervosismo do terror dos idosos. Nem sempre cabelos brancos são sinônimos de fraqueza e covardia....
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