Lúcio era piloto de avião de carga há 20 anos. Conhecia diversos países, tanto capitalistas quanto de economia socialista. Em cada um, quando pousava o cargueiro e após o trabalho passeava para conhecer as particularidades do lugar, acabava descobrindo fatos que rendiam boas histórias no retorno ao Brasil.
Este tipo de trabalho, segundo ele, não trazia aborrecimento com passageiros. Afinal de contas, carga não fala nem reclama. É algo inerte. Apenas ocupa o espaço. Como parceiro tinha o colega João, já veterano neste tipo de emprego. Mais seguro, do que ganhar muito dinheiro transportando drogas na região amazônica fronteira com Peru.
Longe de casa há vários dias, estava morrendo de saudade da esposa Mohana, morena de olhos cor de mel, cabelos cacheados, dentes brancos iguais ao marfim e extremamente sensual. Mulher que o levava às nuvens na arte de fazer amor. Juntos há 8 oito anos, morria de paixão por ela.
No auge da pandemia do coronavírus teve de fazer diversas viagens transportando produtos utilizados na fabricação de vacinas. Viu a passagem de 2020 para 2021 num longo voo de 28 horas para a Austrália. Do alto, conseguia enxergar ao longe os poucos fogos explodindo marcando a despedida do primeiro ano desta terrível doença.
Ao chegar ao Brasil, logo foi para a casa, no bairro de Vila Clementino, Zona Sul de SP, próximo ao hospital São Paulo. No apartamento percebeu que o seu grande amor não se encontrava. Tudo bem arrumado. Havia falado com Mohana por videoconferência e não notou algo anormal. O porteiro ligou e deu a drástica notícia: “dona Mohana está intubada há 3 dias. O estado dela é muito grave....
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