Cícero trabalhava como engenheiro numa grande empreiteira paulista. Viajava por várias regiões do Brasil. Numa delas conheceu Margot, pernambucana descendente de holandeses e morena de olhos verdes e cabelos negros iguais jabuticabas. Logo casou e a trouxe para São Paulo.
De gênio forte, quem mandava em casa era ela. Nada que Cícero fazia agradava. Até os presentes que ganhava dele, quebrava ou jogava fora, depois de lhe falar diversos palavrões. “Eu sou mulher de ponta de rua para receber isto”, retrucava nervosa.
Neste pique chegaram aos 30 anos de casamento e três filhos, todos já bem resolvidos na vida. Cícero, porém, vivia amargurado. Não conseguia agradar Margot em nada. Nem fazendo amor a satisfazia. Na sua concepção, o seu marido não passava de alguém fracassado em tudo.
No escritório da empresa, no Jardim Europa, bairro dos bilionários do Brasil em São Paulo, ele percebeu que uma recepcionista recém-contratada, branca, de 25, corpo mignon e sorriso caliente, chamou sua atenção. Sua voz macia, logo o seduziu.
Não demorou e logo estavam saindo juntos. Ao contrário de Margot, só tinha elogios para Cícero. O satisfazia por completo na arte do amor. Numa noite após ser agredido verbalmente e fisicamente, tomou a decisão de sair de casa e encerrar o tormento de 30 anos.
Foi morar com Júlia. Que para surpresa de Cícero, nunca tinha namorado ninguém, após sofrer ameaça de estupro de um tio na adolescência. Literalmente passou a viver nas nuvens. Lavava e passava suas roupas, cozinhava o que ele gostava e só lhe desejava o melhor.
Às vezes na vida, as pessoas jogam fora com as próprias mãos um tesouro valioso que o tempo todo estava ao seu lado. Margot sentiu o baque, mas igual ao goleiro que pula depois que a bola já balançou as redes, não teve mais tempo de recuperar o tempo perdido...
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