Fernandão adorava dirigir caminhão. Herdou do seu pai, a paixão de pegar a estrada sem preocupação de quando voltar para casa. Ainda criança acompanhava o velho Euclides, no comando do famoso FNM que enfrentou lama e poeira pelo Interior do Brasil, na década de 50.
Quando o batalhador Euclides partiu para sempre, aos 70 anos, Fernandão assumiu o leme de um Scania “Jacaré”, que tanto sucesso fez nos anos de 1960. Comunicativo, conseguia frete com facilidade. Quanto mais longe fosse, melhor. Não tinha tempo ruim.
Mulherengo, em cada cidade que passava, arrumava uma namorada e depois aumentava a família, deixando ali a marca do seu DNA, nas calorosas noites de amor, que passava na boleia do amado Scania, que carinhosamente chamava de Júnior.
Cofre
Nem o famigerado Plano Collor, no início da década de 1990, que destruiu a vida de inúmeros brasileiros com retenção do dinheiro acumulado na caderneta de poupança, o liquidou. Desconfiado de banco, guardava suas economias num cofre do quarto.
Assim mantinha as contas em dia, sustentava a morena clara Letícia, mulher linda, cor de chocolate, olhos castanhos, cabelos na cintura e corpo escultural, que Fernandão trouxe do Acre, após forte paixão, daquelas de tirar o sossego.
Carinhosa, Letícia lhe deu dois filhos. Desconfiada, sempre revistava a boleia do caminhão em busca de alguma prova de infidelidade. Sempre dizia, que não aceitaria traição. Caso ocorresse, o castraria quando estivesse dormindo, para nunca mais transar com outra mulher.
Adolescente
Fernandão não acreditava nas ameaças. Imaginava que Letícia nunca faria isto com o amor de sua vida. Como todo esperto imagina que o restante da população seja boba e só ele esperto, prosseguiu na fome insaciável de prazer.
Numa viagem a Santarém, Pará, conheceu a adolescente Cecília, perto da empresa onde entregou uma carga que levou de Belo Horizonte. Ficou alucinado. Durante duas semanas transou com ela. Não pegou nenhum frete. Só se alimentavam de açaí com arroz, peixe frito e cerveja.
A paixão foi tão intensa que imaginou largar Letícia e ficar morando em Santarém. Mas as contas o fez retornar a São Paulo. Despreocupado e superconfiante passou o número do telefone fixo de sua casa para Cecília. No início da década de 1990, ainda não existia celular.
Querido
Esperta com Fernandão, Letícia mandou grampear o telefone para saber com quem o seu marido tanto falava, quando chegava de viagem e tudo de quarto fechado. Não demorou para descobrir que era traída. Não perdeu a calma. O tratava carinhosamente.
No aniversário de 15 anos de casamento, presenteou Fernandão com uma calorosa noite de amor, daquelas que somente as grandes amantes, sábias na arte do amor, podem fazer com alguém querido. O levou às nuvens várias vezes.
Após tomar banho juntos, o beijou calorosamente, jurou amor eterno. Logo foram dormir. Naquela noite não se abraçaram. Ficaram de ladinho. Na madrugada, Fernandão sentiu um líquido sair da verilha.
Ao acordar, viu o seu pênis decepado nas mãos de Letícia. Não se pode brincar com uma mulher traída, principalmente quando ela usa uma faca de cortar bife, com muita destreza...
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