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Domingo, 21 de Junho de 2026
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Carnaval

Primeiro dia de desfile foi acirrado no Anhembi

Os relógios foram desligados com a queda de energia e o tempo teve de ser marcado em celulares dos organizadores.

Redação
Por Redação
Primeiro dia de desfile foi acirrado no Anhembi
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Barroca Zona Sul

De volta à elite do carnaval de São Paulo após 15 anos, coube à Barroca Zona Sul abrir as apresentações. A escola contou a história da líder quilombola Tereza de Benguela, com personagens e adereços cheios de referências à cultura africana. Pela avenida, sambaram orixás e passistas de turbante. Nas fantasias, muitos detalhes com búzios.

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Com objetivo de se manter no grupo especial, o ativismo fez parte do desfile. Já no primeiro carro, em cores escuras, trouxe a tristeza pela escravidão. Em uma das alas, exibiam-se frases de efeito. "Lute como uma mulher", dizia uma das placas. Mas sucesso mesmo fizeram dezenas de crianças que, vestidas com batas, distribuíam tchauzinhos e gestos de coração à plateia. Por onde passava, o carro arrancava suspiros.

Tom Maior

Segunda a se apresentar, a Tom Maior subiu ainda mais o tom. Em destaque, a escola levou uma alegoria gigante da vereadora do Rio Marielle Franco, assassinada a tiros em 2018, e também representou na avenida episódios de violência policial. "As minorias são a maioria", exibia uma faixa.

Com o enredo "É coisa de preto", a Tom Maior relembrou em 21 alas uma série de personalidades negras, desde personagens consolidados, como Aleijadinho e Machado de Assis, a referências mais recentes, como Maria Carolina de Jesus, Madame Satã e Mano Brown. Um dos destaques ficou a cargo da bateria - uma homenagem ao trapalhão (e sambista) Mussum.

Dragões da Real

A julgar pela animação dos integrantes ao fim do desfile, a atual vice-campeã, Dragões da Real, desponta entre as favoritas ao título. Tendo o riso como pano de fundo, a escola fez um desfile dinâmico, com acrobacias aéreas, apresentação de pole dance e carros equipados com luz de led, lançadores de fumaça e até escorregadores.

"Fazia tempo que eu não via a Dragões ser aplaudida de pé e, hoje, foi", afirmou o presidente Renato Remondini, o Tomate, bastante abraçado ao fim da apresentação.

Fora da avenida, a Dragões acabou marcada por ter sido responsável por atrasar o desfile seguinte, mas não deve perder ponto. Na dispersão, o abre-alas enroscou na rede elétrica na saída do Anhembi. Por causa do incidente, a Mancha Verde só entrou no Sambódromo mais de uma hora depois do previsto, às 3h50.

Mancha Verde

Apesar da demora para finalmente entrar na avenida, a atual campeã do Carnaval de São Paulo mostrou um desfile colorido e bastante engajado. A escola ainda desfilou com uma emoção "extra", sem os cronômetros da avenida. Os relógios foram desligados com a queda de energia e o tempo teve de ser marcado em celulares dos organizadores.

Em uma das alas, chamada "Homem veste azul, Mulher veste rosa", a escola trouxe com ironia uma frase polêmica da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Em outra, a "Penhas e Marias", a escola abordou a questão da violência contra mulheres. Por fim, houve referências a mães que perderam seus filhos para a violência, relembrando episódios como o ocorrido no baile funk de Paraisópolis.

Acadêmicos do Tatuapé

A escola levou precisos 2.761 componentes para homenagear a cidade de Atibaia, no interior de São Paulo. Em clima de roça, apresentou no Sambódromo referências da culinária ao turismo da cidade. Em uma das alas, exibiu 60 bonecos de personagens como Cebolinha e Pato Donald, típicos do carnaval local.

Outro carro lembrou a tradição na produção de flores. Atibaia representa cerca de 25% das flores produzidas no País e teve um carro alegórico dedicado ao tema. Durante o desfile, integrantes do setor de Harmonia borrifavam perfume para cima.

Império de Casa Verde

A escola da zona norte foi outra a se esquivar dos enredos politizados. A escola entrou já de manhã e trouxe o enredo "Marhaba Lubnãn", homenageando o Líbano e a comunidade libanesa no Brasil. A tricampeã no carnaval paulistano não pareceu se importar com a hora de atraso e trouxe um desfile forte para o sambódromo.

Com alegorias brilhantes e bastante luxo e movimento, a escola mostrou tradições da cultura libanesa, referências ao deserto e até sarcófagos giratórios num dos carros alegóricos.

X-9 Paulistana

Última escola do primeiro dia de desfiles, a X-9 encarou pista molhada, mas já sem chuva. Sob enredo bem brasileiro, chamado "Batuques Para um Rei Coroado", levou para avenida fantasias ornadas com tambores, pandeiros e toda sorte de instrumento de percussão. A licença poética ficou por conta da bateria, fantasiada de coração: o mais importante dos batuques.

A escola esbanjou colorido nos adereços e apresentou carros alegóricos ricos em detalhes, usando ladrilhos, espelhos e até vasos de planta. Por causa do avançado da hora, o Anhembi já estava esvaziado. O público que ficou para conferir, no entanto, se emocionou.

 

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