Vitória em Itaquera por 2 a 1 parecia incerta diante da pressão rubro-negra, que levou gol mortal de Pedrinho no segundo tempo (Foto: Rodrigo Gazzanel/ Agência Corinthians)
O clube mais brasileiro pode ser mais ainda já que está na final da Copa do Brasil 2018. Em meio a uma turbulenta crise e desmanche durante a temporada, o Corinthians ganhou confiança ao vencer e eliminar o Flamengo por 2 a 1, em sua Arena, na noite desta quarta (26). Agora o Timão disputa o título e uma bolada de R$ 50 milhões com o Cruzeiro, que derrotou o Palmeiras na outra semi-final.
E para quem até ontem estava aflito com a derrocada no Campeonato Brasileiro, a eliminação da Libertadores e a insegurança com a troca de técnico e perda de jogadores importantes, o clube Alvinegro parece estar de ”vento em polpa”, feliz com a possibilidade de levantar uma taça pela segunda vez este ano.
Não podemos ignorar que o mesmo Corinthians que tem passado por complicados perrengues nas últimas semanas, dentro e fora de campo, é atualmente o atual campeão brasileiro e paulista, algo que só mostra o tamanho deste grande clube.
Mas, falemos do jogo – e que jogo. Durante os 90 minutos muito nervosismo para os dois lados, contudo, a equipe de Jair Ventura entrou mais concentrada, disposta a segurar a pressão flamenguista que havia cedido um 0 a 0 amargo, no Maracanã. A estratégia, assim como no primeiro jogo, era se defender, porém, sair um pouco mais para o ataque contando com a força da Fiel e do fato de jogar em casa.
Sabendo da superioridade técnica dos cariocas, o clube paulista foi humilde em reconhecer isso, mas não em se abater. Ventura escalou o Timão da seguinte forma: Cássio; Fágner, Léo Santos, Henrique e Danilo Avelar; Douglas, Ralf, Jadson, Mateus Vital e Clayson; e Romero. Time igual ao que vem jogando em partidas decisivas.
A postura inicial foi de surpreender o Flamengo, que contava com Diego, Éverton Ribeiro, Lucas Paquetá e companhia. Não seria fácil, contudo, não impossível. O gol que abriu o placar foi alvinegro, dando ânimo para que o Timão saísse classificado. Jadson deu bela assistência para Danilo Avelar na esquerda. Éverton Ribeiro não acompanhou a jogada e deixou o corintiano cara a cara com Diego Alves para marcar.
No entanto, a resposta do Mengão veio logo em seguida, aos 17, e contando com a ajuda do zagueiro Henrique, em lance em que Willian Arão deu passe no vazio para a boa chegada de Pará na direita. O lateral rubro-negro cruzou e contou com a infelicidade da bola bater no braço do camisa 3 e entrar no gol.
A partir dai a tensão só aumentou e era precisa frieza e paciência para se colocar novamente a frente do placar. Mérito de Jair Ventura que mexeu de forma cirúrgica na equipe, colocando Gabriel no lugar de Léo Santos, Araos no de Vital e o menino Pedrinho no de Clayson. Mal sabiam todos que o jovem atacante de 20 anos entraria para decidir a partida.
No momento em que o Flamengo atacava mais e levava mais perigo ao ataque, aos 23 do segundo tempo, Romero recebe na esquerda, leva e toca para o meio. Jadson desvia e a bola sobra para o camisa 38, que gira e bate da entrada da área, no canto de Diego Alves, que pula, mas não acha nada – um gol de placa.
Dai até o final de jogo foi preciso ter uma cautela digna de finalista, segurando a pressão sufocante dos visitantes, mas sem sucesso.
- “Muita entrega, muita raça e determinação num jogo tático, conseguimos a classificação. Não vencemos nada, pés no chão, para conseguirmos o objetivo”, disse o técnico Jair Ventura.
- “É a parte boa da vida do treinador, de tantas críticas, tem esses momentos bons, o momento de uma estratégia de jogo, de substituições, mostra que quando você tem suas convicções, as coisas acontecem. Quem classificou para a final foi o melhor, que foi o Corinthians”, comemorou Jair.
O Timão decide pela sexta vez o título do mata-mata nacional, dessa vez e de forma inédita com a Raposa, que chega à final pela oitava vez. Enquanto que os cruzeirenses buscam ser os maiores campeões da competição com seis taças, os corinthianos jogarão para levantar o caneco pela terceira vez e assim conquistar o seu 10º campeonato na década, restando apenas a Copa do Brasil como único certame ainda não vencido neste período.
Entretanto, mais do que uma bolada milionária ou mais um título para sua história, a vitória nas finais que acontecem nos dias 10 e 17 de outubro, sem mano de campo ainda decidido, representará uma retomada vitoriosa para a complicada fase em que vive o clube mais brasileiro. É vencer ou vencer.
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