Martina idolatrava o próprio corpo. Unhas, dentes, olhos, cabelos, pernas e os seus sedutores lábios carnudos. Era egolatra. Ficava horas diante do espelho secando os cabelos longos, que chegavam até a cintura. No banheiro, um enorme armário guardava os produtos de beleza, tais como creme, xampus etc.
Quando passava pela Rua Oscar Freire, aonde comprava roupas e calçados, os homens suspiravam. Martina deixava impactado qualquer homem. Até os gays reconheciam que a beleza dela realmente extrapolava o normal. Dentes brancos, semelhantes ao marfim, sem nenhuma cárie e olhos azuis parecidos com o céu.
Dinheiro
Como tinha noção do seu potencial, esnobava quem aparecesse pela frente. Principalmente suas empregadas. Em sua opinião todas feias e mal amadas. O orgulho adorava Martina, grande defensora deste nefasto sentimento. Quanto à vida sexual, o homem precisava ter muito dinheiro para sonhar em transar com ela.
Pais ricos e influentes, principalmente na política, garantiam os caprichos da filha supermimada. O mundo real, o que aparece nos telejornais, mostrando favelas, adolescentes estupradas, trabalho infantil, idosos agredidos, não lhe interessava. Só festas na Europa e Caribe; compras gigantescas de perfumes e calçados.
Cílios
Zombou do sonho da cozinheira Quitéria. Ela pretendia fazer uma bela festa de 15 anos para sua única filha. Fez a cabeça dos pais para que não emprestassem dinheiro para tornar realidade a proposta de sua funcionária. Pobre não deveria ter este tipo de alucinação. Apenas trabalhar e muito para não passar fome.
De repente Martina perdeu a pigmentação dos cabelos, cílios, sobrancelhas; o mesmo passou a ocorrer com os tecidos que revestem o interior de sua boca e nariz. Logo manchas horríveis se espalharam por todo o corpo. O vitiligo desfigurou a beleza dela. Ao ver a filha de Quitéria, branca, de olhos verdes e corpo escultural sentiu inveja. A melhor vingança quem faz é o tempo....
Comentários: