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Registro de casos de estupro batem recorde em 2023
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgou na sexta-feira (26) que São Paulo registrou 14.504 casos de abuso, que batendo recorde histórico, faz parte dos 74.930 casos registrados no Brasil, batendo o maior número de registros. É importante lembrar que muitos casos são subnotificados, por inúmeros motivos, e por isso o valor de casos de estupro é na verdade mais alto do que apenas os registros demonstram.
De acordo com o governo de São Paulo, esse aumento se deve a maior conscientização das vítimas, que estão denunciando cada vez mais os abusos sofridos. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, estudos recentes de abuso sexual contra crianças (que são as principais vítimas), mostram que o período de pandemia influenciou no aumento de casos de abuso, já que com o lockdown e o fechamento de escolas, as crianças ficaram mais vulneráveis, no entanto, os abusos foram relatados por professores que durante a volta às aulas presenciais, notaram o comportamento diferente das crianças. Ainda pelo estudo do Anuário, 68,3% dos casos de estupros ocorrem dentro da residência da vítima, e os agressores são conhecidos.
Todos esses estudos mostram que as crianças, maiores vítimas de abusos, correm maior perigo dentro de suas casas. Com a pandemia e, consequentemente o isolamento social, um momento onde as crianças deveriam encontrar conforto e segurança em casa, as deixou muito mais fragilizadas e vulneráveis.
A família desempenha um papel importantíssimos nestes casos de abuso. O cuidado ao colocar conhecidos dentro de casa, sempre observar se a criança está confortável, observar seu comportamento perto de familiares. As crianças sempre demonstram quando algo está errado, seja pelo comportamento ou pela fala. Cuidado com a internet e sempre que se deparar com um possível caso de abuso, é importante denunciar. A escola também tem papel fundamental, já que professores podem acabar notando a criança diferente, e ser aberto com a criança para que ela conte.
No Brasil as pessoas evitam discutir sobre a educação sexual nas escolas, pois mesmo sem conhecer, julgam como prejudicial. A educação sexual, no entanto, é uma das chaves para combater o abuso contra as crianças e adolescentes. A Organização das Nações Unidas (ONU) é a favor da implementação da educação sexual nas escolas, porque ela promove os direitos humanos e direito das crianças e jovens. A educação sexual ajuda a criança a notar quando alguém está com más intenções, e tocando regiões íntimas, favorecendo a denúncia antes que algo pior aconteça. Essa questão de tratar sexo como um tabu prejudica tanto crianças como adolescentes, e deixa eles mais vulneráveis.
O combate ao estupro está longe de ser o suficiente. Todo dia saem notícias sobre abusos, e é um dos piores casos de violência, porque a vítima se sente envergonhada e incapaz, é um crime contra a integridade humana. É necessário quebrar esses tabus para que os pais entendam a necessidade de tomar medidas a favor da segurança de seus filhos.
Algumas famílias podem sentir medo de denunciar, seja por medo do agressor ou da insegurança financeira. No entanto, a omissão também é crime, e a violência sexual será carregada para o resto da vida.
As denúncias podem ser feitas através do 190 (polícia militar) ou para o 197 (polícia civil). Em casos de ocorrências urgentes, o Samu também pode ser acionado, através do 192. O número 100 também pode ser contatado, podendo ser efetuado de qualquer lugar do Brasil, com denúncia pode ser anônima e gratuita. O Conselho Tutelar também pode ser contatado e profissionais de saúde
Também há as Delegacias de Defesa das Mulheres (DDM), que atendem também casos de crianças e adolescentes, vítimas de qualquer tipo de violência.
Se você conhece alguma vítima, ou é vítima da violência, de qualquer tipo, denuncie. Nenhum ser humano deve ter seus direitos violados, e as crianças devem ser sempre protegidas por quem puder ajudar. Não se omita.