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Domingo, 09 de Agosto de 2026
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Crônica

Razões que só o amor compreende

Sem nenhuma preocupação em relação futuro, Catavento levava uma vida simples.

Redação
Por Redação
Razões que só o amor compreende
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Catavento era baixinho, mas com 1,55 de altura tirava o sossego dos moradores de Barra da Estiva na Bahia na década de 50. Bravo arrumava encrenca com qualquer pessoa. A paz tirava o seu sossego. Entrava nos bares e jogava cachaça no rosto de algum infeliz para brigar.

O seu prazer estava na peixeira, que segundo ele, ficou espetada sete luas cheias numa bananeira. Para quando espetar na barriga de alguém, não existir remédio que colocasse fim à hemorragia. Ninguém compreendia o motivo de tanta violência, visto que sua família tinha a paz como lema.

O curioso é que Catavento dificilmente apanhava, pelo contrário conseguia sair por cima e batia no peito: “Ainda não nasceu ninguém para bater neste rosto lindo, que mamãe passou talco”, dizia. O delegado da cidade o prendia e logo soltava. Apesar de tudo, ele trabalhava.

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Psiquiatras

Com o passar do tempo sua fama ultrapassou os limites de Barra da Estiva. Em várias cidades daquela região da Bahia, as pessoas sabiam da fama de brigão de Catavento. Acabou virando figura folclórica. Todos queriam conhecê-lo, principalmente psicólogos e psiquiatras.

Sem nenhuma preocupação em relação futuro, Catavento levava uma vida simples. Suas roupas não tinham luxo. Gostava de chinelos de couro cru, calça de pano de saco e camisa de algodão. Nunca gostou de relógio. Sua orientação estava no sol ou lua. 

Em uma festa junina resolveu encrencar numa banca onde se vendia pé de moleque. Colocou sua famosa peixeira no rosto do dono que comercializava doces ao lado da cunhada. “Vou comer todos os seus doces e não pagarei. Tu vais me impedir’”, ameaçou.

Caldeirão

Ritinha, jovem perto dos 30 anos, infeliz no amor,  logo entrou em ação. “Catavento deixa de besteira. Se gosta tanto de doce, vou até sua casa e faço um caldeirão de pé de moleque pra tu comer”, disse mansamente.

Catavento olhou para Ritinha, guardou a faca e foi embora. Ritinha, de cabelos longos, abaixo da cintura, morena, olhos pretos iguais jabuticaba e bonita tanto de rosto quanto de corpo, era a moça que mexia com o coração de Catavento.

Na adolescência os dois estudaram o ginásio juntos. Nas provas de matemática, Ritinha o ajudou muitas vezes. Ela tinha muita facilidade com números, além de rapidez de raciocínio. Vizinhos, suas famílias se davam bem.

Paz

Catavento, naquela época, tentou emendar um namoro com Ritinha, mas não teve coragem de declarar o seu amor. Estranhamente a partir desta paixão recolhida que a violência virou válvula de escape. Sua agressividade se tornava um grito de alerta. Mas Ritinha ignorava.

Sem namorar com nenhum rapaz da cidade, permaneceu algum tempo em Salvador e dali voltou professora de Matemática. Porém solteira. Após a briga da festa junina, Catavento se lembrou do desejo que sentia por Ritinha na adolescência.

A procurou pediu desculpas pelas ameaças e se declarou apaixonado. Ela ouviu e lhe impôs uma condição: jogar sua faca de briga fora e levantar a bandeira da paz. Catavento aceitou. Pelo amor de Ritinha, virou cordeiro. A força do amor muda situação que consideramos impossíveis....

 

FONTE/CRÉDITOS: Aristóteles Ambrósio
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