Jorginho era um jovem levado. Gostava de enfrentar o perigo. Nada lhe colocava medo. Sair com ele significava overdose de emoção forte. Detestava rotina. Praticava rapel e todo o tipo de esporte radical.
Pular de para quedas não lhe metia mais medo. O negócio tinha de aumentar velozmente a adrenalina em seu corpo. Deste jeito a vida tinha sentido. Do contrário, ficava estagnado, com olhar parado fixado no horizonte.
Aos 12 anos deixou o seu pai maluco. Descobriu aonde o velho guardava o revólver que usava no trabalho de Pm e furou de bala a porta da sala. Os estampidos da arma apavorou a vizinhança. Todos imaginavam que acontecia uma tragédia na sua casa.
Por causa disto apanhou muito. Sua mãe, dona Quitéria, paraibana arretada e da gota serena, usava constantemente a cinta de couro cru nas costas e pernas de Jorginho. Porém nada disso enquadrava o menino. Após o castigo repetia as travessuras.
Ao sair da adolescência, os pais imaginaram que ele tomaria juízo, principalmente depois de entrar na faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), conseguindo ficar entre os primeiros colocados no vestibular da Fuvest.
Pisar os pés nos 23 anos não fez diferença no comportamento dele. Na USP é que o espírito de aventura ganhou corpo de vez. Apaixonou-se por rally e ficava extasiado quando descobria trilhas bem difíceis. Ali é que mergulhava de cabeça.
Por causa deste louco estilo de vida, nenhuma garota conseguia ficar ao seu lado muito tempo. Logo, elas pulavam do barco. O excesso de radicalismo de Jorginho passava da barreira do normal. Só alguém de coração de aço para resistir.
Exímio nadador, quando entrava na água o show era garantido. No Litoral cansou de chegar até Ilhabela na braçada. Se o mar estivesse bravio, com ondas altas, caia na água para tentar domar sua rebeldia.
Nesta paixão pelas águas, às vezes simulava que estava se afogando para chamar a atenção dos amigos. Quando chegavam perto dele, Jorginho explodia de rir. Num sábado, repetiu este gesto na represa de Mairiporã, Grande SP.
Os colegas acharam que ele estava brincando e deixaram de lado os seus pedidos de socorro. Subiu duas vezes, como sempre fazia nas suas encenações, balançando uma das mãos e afundou de vez. Naquela tarde Jorginho percebeu que não se deve brincar com a morte....
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