Floripes era a típica adolescente rebelde. Nunca atendia aos conselhos dos pais. Só ela estava certa, os outros errados. Nadava em direção contrária ao bom senso. Gostava de correr risco. Amava esporte radical, só para atormentar os seus pais. Sentia alegria ao fazer isto.
Plugada dia e noite na internet não acreditava no noticiário a respeito da covid-19. “Terrorismo. É doença que mata velhos. Jamais vai bater de frente com a juventude”. Por causa disto recusava usar máscara ou passar álcool gel nas mãos. Detestava conselhos de médicos.
Feriadão prolongado em São Paulo. “Eu não ficarei em casa. Viajarei para o Litoral Norte. Praia, cerveja e baile funk. Não sou louca de perder esse sol maravilhoso, trancada em casa”, dizia. Reuniu um grupo de oito amigos e resolveu pegar a estrada.
Parados na Rodovia Carvalho Pinto, tiveram de fazer exame rápido para covid-19. Todos estavam contaminados. “Eu doente. Este teste é sacanagem para nos impedir de viajar. Sinto apenas dores nas costas e um resfriado besta. Nada mais”, esbravejou.
Na volta para casa, teve de procurar um hospital. “Caraca! Tudo lotado. Cadê um leito vago para mim?” Passou a questionar, na medida em que o ar não entrava facilmente em seus pulmões. Após muito sufoco, conseguiu internação na Santa Casa de SP.
Porém, ficou arrepiada ao ouvir os médicos. “Mais um jovem para o tubo? Bagunçam e depois vem para cá tirar o leito de quem é responsável! Vamos ver quando tempo essa daí vai durar”, comentou o médico que iria fazer o processo de intubação em Floripes.
Deitada na cama. Viu vários enfermeiros com medicamentos e seringas nas mãos e um instrumento de metal para colocar em sua boca e um tubo de flexível de plástico que seria introduzido na garganta. Sentiu a picada do anestésico e começou a dormir um sono do qual não iria voltar mais....
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