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Sexta-feira, 25 de Setembro 2026
Crônica

O homem tarado por doces

A ponto de ele misturar açúcar refinado com água e tomar vários canecões

Redação
Por Redação
O homem tarado por doces
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Comilão de doce, Jeremias  adorava ir a festa, seja de aniversário ou casamento. O negócio era ficar perto da mesa e saciar o monstruoso apetite. Gostava de tudo. Ficava com água na boca ao olhar para a decoração e ver tanta guloseima pronta para degustar. Depois tomava um copo de água e tomava o rumo de casa.

Sua fome gigantesca aterrorizava os promotores de eventos em Brasília. Saia da cidade satélite de Taguatinga e rumava à matriz do poder. Como trabalhava de funcionário público federal, sabia os locais onde ocorreria alguma boca livre. O restante o seu estômago se encarregava.

O curioso é que Jeremias não tinha preocupação em conquistar alguém nestas andanças. Comer muito doce, esse era o alvo. Tudo entrava nesta meta: brigadeiro, beijinho, olho de sogra, quindim, pudim, bolo de chocolate, de fubá, formigueiro, bem casado, mousses. O que tivesse açúcar lhe satisfazia.

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Roupas

Pensava um dia em participar de algum programa de televisão que levasse o vencedor a concretizar algum tipo de sonho, de preferência bem curioso. Enquanto este dia não chegava, ficava mapeando onde estaria para avançar nas guloseimas.

Em sua família ninguém tinha explicação para este tipo de tara que acometia Jeremias. Os pais e seus cinco irmãos passavam longe deste comportamento. Gostavam de doces, mas dentro dos padrões normais. Na infância, sua mãe precisava esconder as latas de leite condensado para não caírem nas mãos do comilão.

Quando chegou a adolescência, este apetite tornou-se gigantesco. A ponto de ele misturar açúcar refinado com água e tomar vários canecões. O curioso é que os médicos não encontravam germes nos exames para explicar esta gula. Dizia que iria trabalhar para comprar doces. Roupas e calçados ficariam em segundo plano.

Choro

Certo dia viu na internet como funcionava uma fábrica produzindo leite condensado e barras de chocolate. Seus olhos ganharam gigantesco brilho. Prestou muita atenção no setor, quando tudo era embalado rumo ao comércio. Por alguns segundos pensou em trocar o serviço público para trabalhar nesta empresa. Suas tentativas foram em vão.

Num belo dia escreveu uma carta para a produção de um programa de televisão contando que gostaria de realizar o sonho passar o dia numa fábrica de doces. Cumpriu algumas etapas e venceu. Finalmente iria saciar a fome imensa de comer doces até ficar cansado.

No dia determinado pela produção do programa, Jeremias teve uma desagradável surpresa.  Amanheceu com terrível diarreia. Passou a noite e a madrugada no banheiro. Tomou diversos medicamentos, mas nada surtiu efeito. Chorou igual criança. Aprendeu que na vida, o salgado também faz parte da nossa caminhada neste mundo. Depois daquele dia, não gostou mais de doces...

 

FONTE/CRÉDITOS: Aristóteles Ambrósio

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