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Sexta-feira, 25 de Setembro 2026
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O Crime tem cor?

Por: Maria Eduarda Lima

Redação
Por Redação
O Crime tem cor?
Rovena Rosa/Fotos Públicas
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O racismo policial que mata cada vez mais negros, perpetuando violência e injustiça 

 

 

No dia de hoje (17) um motoboy estava aguardando pedido na calçada de um prédio quando ele e um idoso começaram a discutir, e o idoso desferiu um golpe nele com uma faca. A polícia foi chamada, e o policial prendeu o motoboy, vítima do ataque com a faca. O caso parece soar estranho, já que a polícia deveria abordar o idoso armado. No entanto, a história, quando contextualizada começa a formar sentido. O caso ocorreu em um bairro classe média, em Porto Alegre, com um idoso branco morador, e um motoboy negro. A polícia levou o motoboy Everton para o camburão, e o idoso em uma viatura, no final ambos foram liberados. 

O caso não é novidade no Brasil. Com uma pesquisa rápida na internet, casos incontáveis de homens negros inocentes que são alvos de violência policial podem ser encontrados. “Morre jovem negro que teria sido baleado por policiais após ser confundido com assaltante em São Paulo” (Brasil de Fato), “Homem armado ameaça jovem negro e policial militar se recusa a ajudar” (ponte.org), “Mortalidade policial sobe em SP, e o perfil é o mesmo: negro, jovem e pobre" (UOL). 

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Leonardo Fernandes Hirakawa desenvolveu um estudo em seu mestrado, junto com sua orientadora Verônica Toste, chamado “Desvendando a cor padrão: O viés racial na seleção do suspeito na Operação Segurança Presente”. Hirakawa, além de aluno, também é Major da Polícia Militar, e ele explica que o termo “cor padrão” tem um sentido por trás. “Essa é uma terminologia que já foi usada, em termos informais, na comunicação entre policiais. Não importava se o policial era negro ou branco, sempre perguntavam qual era a cor, a característica do suspeito, e então se respondia ‘a cor padrão’. Com isso, já se sabia que era negro. No estudo, buscamos identificar essas relações que estão fora do regulamento, fora da concepção técnica utilizada amplamente”, explica. 

Para exemplificar melhor, no Relatório “Pele Alvo: A Bala Não Erra o Negro”, feito pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), mostrou que em 2022, de 4.219 pessoas mortas pela polícia brasileira, 2.700 eram pretos e pardos, representando 65,7% das mortes. Se for levado em consideração apenas as pessoas com cor/raça informada (3.171), a proporção de negros chega a 87,4%, isso desconsiderando que algumas das ocorrências policiais não tinham declaração de cor, ou seja, o número pode ser muito maior”.  

O problema não é somente no Brasil, conseguimos perceber a violência pelo mundo. Nos Estados Unidos, onde em 2020 ocorreu o assassinato de George Floyd, sufocado por um policial, o movimento Black Lives Matter levou pessoas às ruas, protestando contra a violência e o racismo. Mas, não impediu que em 2023, um menino de 11 anos que chamou um policial para proteger sua mãe de uma briga, foi baleado por esse mesmo policial. 

São notícias que causam impacto momentâneo, no entanto, acabam caindo no esquecimento. Esse racismo policial deve ser combatido porque fere os direitos humanos, e não dá oportunidade de defesa. A maior parte dos esquadros que acontecem, são com homens negros, e é absurdo que isso tenha se tornado corriqueiro. A polícia deve garantir segurança e proteção, e não ameaçar e perpetuar o racismo. 

É hipócrita dizer que não há racismo no Brasil, quando nos deparamos com essas situações e notícias o tempo todo. Racismo é crime e mata uma pessoa negra a cada quatro horas em ao menos 6 estados brasileiros (ROS).  

No Carnaval que aconteceu recentemente, a escola de samba Vai-Vai, foi criticada após uma das alas ter pessoas fantasiadas de policiais do Batalhão de Choque que pareciam demônios, com adereços imitando chifres. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, assim como outros parlamentares de direita criticaram a escola, e não querem mais que ela receba mais recursos públicos. A escola de samba se defendeu, dizendo que não teve a intenção de provocar e que a ala foi baseada na marginalização do movimento hip-hop. 

Além de uma hipocrisia gigante por parte de pessoas que defendem tanto a liberdade de expressão, não há tamanho esforço para combater e repudiar essa violência policial que acontece no nosso país. A escola de samba apenas retrata o que vemos no nosso cotidiano, e que pode ser comprovado com dados e pesquisas simples. 

É óbvio que não é uma generalização de que toda a polícia é má. No entanto, também não dá para negar, com tantas provas, que o racismo policial não acontece. Há um desfoque do verdadeiro problema, de se aprofundar em medidas que tragam resultados. Se o problema é uma escola de samba retratando a realidade, então que o esforço seja amplo para mudar essa realidade. 

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