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Estética e Beleza

MULHERES FORTES, CORPOS LIVRES: FISICULTURISTAS DESAFIAM O MACHISMO E QUEBRAM ESTEREÓTIPOS

Juliana Rosa e Gislene Santos relatam experiências com preconceito, defendem a liberdade de construir o próprio corpo e mostram que força, feminilidade e determinação caminham juntas.

Redação
Por Redação
MULHERES FORTES, CORPOS LIVRES: FISICULTURISTAS DESAFIAM O MACHISMO E QUEBRAM ESTEREÓTIPOS
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Durante muito tempo, a imagem da mulher esteve associada à delicadeza, à fragilidade e a padrões estéticos que pouco espaço deixavam para corpos musculosos. Fora dessas expectativas, mulheres que desenvolvem a musculatura ainda enfrentam comentários preconceituosos, julgamentos e tentativas de desqualificar suas conquistas. No fisiculturismo e nas academias, Juliana Rosa e Gislene Santos mostram que construir um corpo forte também significa desafiar estereótipos e reivindicar o direito de ser quem se deseja.

O machismo que tenta limitar o corpo e o espaço da mulher também se manifesta de forma extrema na sociedade brasileira. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou um recorde de 1.571 feminicídios em 2025, uma média de aproximadamente quatro mulheres mortas por dia em razão de sua condição de gênero. Além das mortes consumadas, o país enfrenta tentativas de feminicídio, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas. Esses números evidenciam a gravidade da violência contra as mulheres e a necessidade de combater as diferentes formas de desigualdade de gênero.

Para Juliana, o preconceito aparece até mesmo na maneira como as pessoas interpretam sua aparência. Segundo ela, mulheres musculosas são frequentemente associadas ao uso de anabolizantes e a características que fogem das expectativas tradicionais de feminilidade. A fisiculturista conta que, no passado, preferia ficar em silêncio diante de comentários desagradáveis. Hoje, porém, escolhe responder com educação, sem deixar de confrontar quem tenta constrangê-la.

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“Antes eu ficava quieta, hoje eu devolvo o constrangimento, de forma educada e sutil, porém devolvo”, relata.

A atleta também se recorda de uma situação em que, mesmo estando doente, ouviu um comentário sobre a voz de mulheres fortes. Em vez de ignorar a provocação, respondeu com ironia, questionando se a pessoa também queria ficar forte ou ter a voz grossa. A reação demonstra uma mudança de postura diante de situações que, muitas vezes, são tratadas como brincadeiras inofensivas, mas podem reforçar preconceitos.

A cobrança estética também faz parte dessa realidade. Juliana observa que ainda existe uma expectativa de que as mulheres sejam magras, definidas e comam pouco. Quando desenvolvem uma musculatura mais evidente, porém, passam a ser vistas como exageradas. Para ela, essa visão limita as possibilidades do corpo feminino e desconsidera o direito de cada mulher de escolher a própria aparência.

“Eu gosto de ser forte, saudável, comer bem e treinar. O corpo hoje é consequência dos meus bons hábitos e eu amo!”, afirma.

A relação com o próprio corpo também envolve uma transformação na maneira de enxergar a força feminina. Juliana acredita que as mulheres não precisam corresponder a um modelo único de aparência. Para ela, a possibilidade de desenvolver músculos, praticar esportes e conquistar objetivos físicos também representa uma forma de resistência aos padrões impostos pela sociedade.

“Mostrar que podemos fazer tudo e mais um pouco, para mim, é uma forma de enfrentar o machismo”, diz.

FORÇA QUE NÃO DEPENDE DA APROVAÇÃO DOS OUTROS

A experiência de Gislene Santos tem pontos em comum com a trajetória de Juliana. Há quase 30 anos dedicada aos treinos, ela conta que já ouviu comentários como “está parecendo homem” e “para que, está feio?”. As críticas partiram tanto de homens quanto de mulheres.

A fisiculturista afirma que a maneira como os comentários eram feitos influenciava sua reação, mas nunca foi suficiente para fazê-la abandonar aquilo de que gosta. Com o tempo, aprendeu a se posicionar diante dos julgamentos e a preservar suas escolhas.

“Eu sempre respondo: é porque eu gosto de ser assim, com músculo e feminina”, conta Gislene.

Para ela, a ideia de que as mulheres devem ser frágeis também aparece dentro das academias. Em algumas situações, homens tentam levantar mais peso do que as mulheres para demonstrar superioridade física. Quando encontram uma mulher mais forte em determinado exercício, porém, nem sempre reconhecem sua capacidade.

Gislene considera que esse comportamento revela como o machismo pode se manifestar até mesmo nas atividades esportivas. Na avaliação dela, a força de uma mulher deveria ser reconhecida como uma conquista, e não tratada como uma ameaça ou uma característica que precisa ser justificada.

A atleta também relata situações em que homens tentaram levantar mais peso do que ela, mas não conseguiram. Embora o fisiculturismo tenha categorias distintas para homens e mulheres, esses episódios mostram como a força feminina pode contrariar expectativas construídas socialmente.

MUITO ALÉM DOS MÚSCULOS

Para as duas fisiculturistas, os resultados alcançados na academia representam mais do que mudanças físicas. A rotina de treinos exige disciplina, constância, paciência e dedicação, características que também influenciam outras áreas da vida.

Juliana enxerga o próprio corpo como resultado de um processo que envolve hábitos e desenvolvimento mental. Segundo ela, o fisiculturismo ensina diariamente que é possível conciliar diferentes responsabilidades e perseguir objetivos sem abrir mão de outras dimensões da vida.

Gislene, por sua vez, destaca que quase três décadas de treinamento transformaram sua maneira de se posicionar diante do mundo. A experiência reforçou sua confiança para fazer o que gosta, independentemente da opinião alheia.

“Eu posso fazer tudo o que eu quiser e determinar que sou capaz. Ninguém pode mudar isso”, afirma.

As histórias das duas mulheres mostram que a força feminina não se resume à capacidade de levantar pesos. Ela também está presente na decisão de enfrentar julgamentos, desafiar padrões estéticos e construir uma trajetória sem depender da aprovação dos outros.

Ao ocuparem espaços historicamente associados à força masculina, Juliana Rosa e Gislene Santos reforçam que não existe uma única maneira de ser mulher. Ter músculos, desenvolver potência física e buscar os próprios limites não diminui a feminilidade. São escolhas individuais que merecem respeito.

Mais do que provar que são fortes, elas reivindicam o direito de não precisar provar nada a ninguém.

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